10 dicas para viajar pela Rússia sem complicação

A Rússia é um dos destinos mais fascinantes que já visitei, mas na primeira viagem para lá foi difícil encontrar dicas práticas para entender como era o alfabeto cirílico, a comida, o transporte e tudo mais. Tive que rodar várias livrarias para achar guias em português… e as poucas pessoas que eu sabia que tinham ido para lá contavam histórias muito destoantes de como era o país.

Mas quando cheguei lá me apaixonei pelo destino e aos poucos fui descobrindo alguns macetes para curtir Moscou e São Petersburgo sem complicação :) 

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Arquitetura típica das igrejas russas

Tive a impressão de que os brasileiros vêem a Rússia como um país frio (em todos os sentidos) e perigoso, mas não foi isso o que encontramos lá.

Conhecemos cidades lindas, bem cuidadas, com transporte eficiente, arquitetura monumental, atrações interessantíssimas e pessoas simpáticas (ainda que eles não sejam de muitos sorrisos, eram atenciosos e tentavam nos ajudar mesmo com a barreira do idioma).

Acho que é isso o que faz de Moscou e São Petersburgo destinos tão fascinantes: a mistura inexplicável do clássico com o exótico. Pareceriam capitais europeias como muitas outras se não fosse o choque cultural tão intenso.

Vocês vão reparar que as 3 primeiras dicas para viajar pela Rússia são dedicadas ao idioma, porque o alfabeto cirílico é um dos fatores que mais causa estranheza e porque a maior parte das pessoas não fala nenhuma outra língua, então é importante você saber se virar minimamente. E mais algumas dicas práticas para você curtir Moscou e São Petersburgo sem estresse :D

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Dicas para viajar pela Russia - Boneca russa Matrioska - Dicas da Russia
Matrioska: as simpáticas bonecas russas

1. Aprender o alfabeto cirílico

Essa dica com certeza é a número 1. Os russos em geral não falam inglês e saber ler algumas palavras faz toda diferença. Parece difícil mas eu juro que não é. Basta lembrar que cada letra tem um som e ir juntando os pedaços.

Quase todas têm equivalente no nosso alfabeto: a letra H tem som de N, o P tem som de R etc. E simplesmente pela transliteração já é possível entender várias palavras, como супермаркет (“supermarket”, como se fosse supermercado em inglês) ou ресторан (“restoran”, como se fosse a pronúncia de restaurante em francês).

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Alfabeto cirílico: cada letra tem um som equivalente

2. Ensaiar frases úteis

É sempre bom saber falar algumas palavras básicas no idioma local (isso vale para qualquer destino: Alemanha, França, Hungria, Argentina, tanto faz). Na Rússia, como é muito difícil encontrar quem fale inglês, frases ensaiadas quebram o maior galho. “Dva biliét”, por exemplo, significa “2 tickets” e serve tanto para ingressos quanto para bilhetes de metrô. Para pedir uma cerveja, diga “Adín pivo pajalsta” (essa última palavra quer dizer “por favor” e se escreve “pozhaluysta”).

Tente ler o letreiro: Coffee House

Vocabulário de restaurante também é importante, seja para saber pedir seus pratos preferidos ou para evitar aqueles ingredientes dos quais você não gosta ou tem alergia (carne de porco, leite, amendoim etc.). Eu aprendi logo que курица (kuritsa) quer dizer frango e que сыр (syr) quer dizer queijo – porque praticamente qualquer coisa recheada com isso está bom pra mim! :)

Também não é má ideia andar com bloco e caneta no bolso: você pode levar algumas frases anotadas para mostrar às pessoas caso a pronúncia falhe… E, se nada mais der certo, desenhe! ;)

3. Andar de metrô e usar mapa bilíngue

As estações de metrô de Moscou e de São Petersburgo são atrações à parte, parecem verdadeiros palácios com escadarias, paredes de mármore, estátuas de bronze, lustres enormes… Um luxo só! E o sistema de transporte é bastante eficiente. Só tem um probleminha: 99% das placas estão em russo e é bem difícil entender os avisos sonoros do metrô.

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Estações de metrô que parecem palácios

Então o melhor jeito é ter um mapa bilíngue, com o nome das estações escrito nos dois alfabetos, para você poder comparar as anotações do seu roteiro com as placas. O aplicativo Maps.me é uma ótima opção, pois funciona offline e tem boa precisão para te guiar em trajetos a pé (melhor que Google Maps!). Os apps oficiais do metrô de Moscou e do metrô de St. Peter também podem ajudar.

Para sair do metrô, fique de olho nas indicações “BbIXO” (saída), pois as estações são enormes e têm várias escadas e conexões – às vezes é difícil encontrar a rua! rs

4. Ficar ao menos 4 dias na cidade

Moscou e São Petersburgo são cidades bem grandes, com atrações para todo gosto. De tédio você não sofre. Acho que 4 dias é um tempo legal para se ambientar, ter tempo para visitar alguns museus, aprender a circular pela cidade, se acostumar com as placas em russo e – principalmente – começar a descobrir os restaurantes mais em conta e realmente gostosos. Se achar que está sobrando tempo, considere um bate-e-volta para alguma das cidades do  Golden Ring, como Sergiyev Posad, Suzdal ou Vladimir.

5. Um dia extra em São Petersburgo

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Cascata dourada do palácio Peterhof

Moscou tem muitos museus e tal, mas São Petersburgo tem uma particularidade que merece atenção: alguns de seus maiores pontos turísticos ficam em cidades vizinhas e exigem um dia praticamente inteiro para a visita. É o caso de Tsarkoe Selo e Peterhof, dois dos mais belos e grandiosos palácios do mundo.

A sugestão do dia extra é porque a chuva atrapalha bastante esses passeios, pois os jardins são grande parte da experiência e os palácios são compostos de vários prédios anexos, que se percorrem por chão de terra ou de pedrinhas. Tente visitar Peterhof logo no primeiro dia de sol da viagem e não deixe a agenda tão apertada que não permita uma segunda chance em caso de imprevistos, pois seria uma pena deixar de ver o palácio mais lindo da Rússia, né?

6. Viajar na primavera

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Primavera em São Petersburgo

Acho que esse foi um fator extremamente positivo na nossa viagem! Pegamos dias de sol e temperatura quente, mas ainda escapamos da alta temporada e conseguimos visitar o Hermitage sem fila. Sério: compramos o ingresso na hora, só tinha 1 pessoa na nossa frente na bilheteria e eu tirei uma foto sozinha na escadaria principal para provar que estava vazio! E de camiseta para provar que estava quente!

Eu tinha lido várias recomendações para comprar o ticket com antecedência pela internet porque as filas são gigantescas no verão… Mas só pegamos muvuca num horário que coincidiu com 3 grupos de excussão – depois eles foram embora e nós ficamos no museu tranquilo.

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Hermitage vazio e sem fila!

A única desvantagem que percebemos em viajar nessa época é que não tem hydrofoil (catamarã) para ir de São Petersburgo até o palácio de Peterhof, mas dá pra ir de metrô e ônibus tranquilamente. Também não vimos a famosa “noite branca”, mas no fim de maio os dias já estavam bem longos (anoitecendo pra lá das 22h) e mesmo de madrugada o céu ainda estava azul, como se fosse 19h no Rio de Janeiro.

7. Pedir dica de restaurantes

Nos primeiros dias em cada cidade, a gente gastou fortunas em restaurantes, até começar a descobrir onde valia a pena. E isso quase estourou o nosso orçamento! Como é inevitável que a gente circule pelas regiões turísticas, onde os restaurantes costumam ser caros, é uma boa ideia pedir indicações no hostel para encontrar lugares com bom custo-benefício. Nós fizemos um post com dicas de onde comer na Rússia, incluindo algumas redes de lanchonetes locais – para quem quer comer rápido e barato, mas ainda experimentar os pratos típicos.

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Restaurante georgiano em São Petersburgo

8. Comprar comida em supermercado

As dicas de restaurante ajudaram muito, mas o que realmente reequilibrou as contas foi fazer compra em supermercado (tinha um na esquina de cada albergue em que ficamos, tanto em Moscou quanto em São Petersburgo). É uma ótima saída para fazer lanches, levar pic nic quando for passar o dia em um palácio ou mesmo preparar um jantarzinho no hostel, se tiver cozinha (os nossos tinham). Pelo que vimos no Booking.com na época em que fizemos nossas reservas, pouquíssimos hotéis na Rússia incluem café da manhã, então também vale comprar algumas coisinhas para começar o dia :)

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SPAR: um dos supermercados mais comuns

9. Evitar contato com a polícia

Tivemos muitas recomendações quanto a isso, muitas mesmo – dos blogs ao guia da Publifolha, passando pelos relatos de amigos que já tinham viajado para lá. As histórias eram de deixar qualquer viajante apavorado, de extorsão de propina até prisão injustificada. Nós não passamos por nenhuma situação constrangedora dessas (ainda bem!) mas seguimos firmemente dois conselhos: não deixar o passaporte sair da sua vista em momento nenhum e não falar com policiais nem para pedir informação.

Quanto à segurança nas ruas, nos sentimos super seguros nas duas cidades, especialmente São Petersburgo. De verdade. O que eu posso dizer são aquelas velhas dicas que servem para qualquer destino turístico: não dar trela para abordagens do meio da rua e tomar cuidado com pickpockets (furtos em lugares cheios) – mas isso é meio óbvio, né?

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Policiais russas no metrô em São Petersburgo

10. Levar dinheiro para a balada

Não tivemos dificuldade para encontrar caixas eletrônicos (ATM), inclusive com opção de idioma em inglês, mas o cartão Travel Money nem sempre era aceito nas lojas e restaurantes. Se for sair à noite, também é importante levar dinheiro vivo, pois os bares adotam o mesmo esquema que os pubs de Londres: você paga cada bebida na hora que pede no balcão. Em São Petersburgo, as ruas Lomonosova (Ломоносова) e Dumskaya (Думская) são uma região legal para ir à noite.

Bônus: chip 3G na Rússia

A internet era liberada nos hostels e é bem comum ter wifi nos restaurantes também, mas quem tiver interesse em comprar um chip de telefone para usar 3G local, pode procurar as lojas da MTS, Beeline ou Megafon (três principais companhias telefônicas na Rússia), que vendem chip SIM Card com 3G de internet e 400/500 minutos de ligações locais por preços entre 400 e 600 rublos (cerca de R$ 20 a 30).

Dicas para viajar pela Russia - Google Traducao
Google Tradutor para entender o menu

A vantagem é que, tendo acesso à internet, você pode usar a nova função do Google Translator, que é capaz de traduzir placas e cardápios usando a câmera do celular para reconhecer os caracteres!

Veja todos os posts da Rússia aqui no blog

Bem, essas são as dicas que dou aos meus amigos que estão pensando em viajar pra lá. Não é nenhum bicho de sete cabeças e, certamente, é um dos destinos mais fascinantes que já visitei! :D

Você já viajou pela Rússia e tem outras dicas pra contar pra gente? Comenta aqui embaixo que vai ser ótimo trocar ideia!