Vinhos artesanais na Bulgária

Post de Evandro Domingues, intrépido viajante e autor do blog A Vida numa Goa.

Esqueça Itália, França, Califórnia. A capital mundial do vinho hoje há de ser a Bulgária. Em nossa primeira noite em Sófia fomos ao acolhedor restaurante Hadjidraganov, onde fomos tratados como verdadeiros búlgaros, comemos o que sempre imaginei ser um tipiquíssimo manjar búlgaro e, melhor, provei do potente Mavrud – o vinho nacional.

Bulgaria - vinho no restaurante Hadjidraganov - foto de Evandro Domingues para o blog Vontade de ViajarAssim como restaurantes, lanchonetes e cafés de rede devem ser evitados em viagens, também varietais como Cabernet e Merlot. Não se trata de um nacionalismo xiita: cabs e merlots podem ser provados nos três outros destinos citados acima e também por aqui, enquanto que os vinhos da uva Mavrud só poderão ser provados na própria Bulgária.

Com seu tinto generoso, profundo e aromático, próprio para sabores fortes e climas frios, a Mavrud logo encontrou um espaço aqui debaixo do ventrículo esquerdo. Mas o melhor, não em termos de paladar mas de experiências, estava ainda por vir.

Bulgaria - vinhos da uva Mavrud tipica local - foto de Evandro Domingues para o blog Vontade de Viajar

A caminho do Monastério de Rila, um dos maiores tesouros culturais dos Bálcãs e ícone da Igreja Ortodoxa búlgara, no alto de seus 1.100 metros, passamos por diversas cidades. A última é Rila mesmo, ainda um pouco distante do mosteiro, em que vislumbramos muitas vinícolas. Aquilo ali num outono deve roçar ombros com a paisagem piemontesa ou toscana.

Chegando ao único restaurante aberto já próximo ao mosteiro, haveríamos forçosamente de provar o vinho local, ainda mais se o prato era a truta do rio gelado. Fizemos, com a satisfação de saber que o vinho, produzido artesanalmente, fora feito pelo dono do restaurante.

(via)

Como estávamos em dia de semana no ápice do inverno, tínhamos todo o gélido mosteiro para nós. Fundado por São João de Rila no século X, o complexo foi reconstruído na primeira metade do século XIX depois de um incêndio. As pinturas, portanto, não são assim tão vetustas, o que pouco importa. Símbolo da renascença búlgara, bastião da eslavicidade em meio à ameça e ao domínio turco, uma glória artística para quem ama afrescos.

Bulgaria - Pintura do Inferno no Mosteiro de Rila

Repetirei Rila a cada volta à Bulgária. É tanta coisa para fotografar! E fotografamos também a estreita saída da caverna onde São João morou. Reza a lenda que só não fica entalado aquele que é livre de pecados. Passei fácil 🙂

Bulgaria - Caverna de Sao Joao de Rila no Mosteiro

Para terminar, a caminho do aeroporto, descobrimos que nosso taxista Boris sabe que Dilma tem raízes búlgaras, orgulha-se de suas raízes trácias, coleciona avidamente cédulas do mundo inteiro (sempre as três de menor valor; dei-lhe notas de 2 e 5 reais) e, last but not least, é também vinicultor! Fez questão de presentear-nos com uma amostra de sua criação, que transporta no porta-malas…. E a vida, assim, se nos afeiçoa…

Leia também:
>> A viagem do Evandro pelo Sri Lanka.
>> As vinícolas de Mendoza, na Argentina.

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