Guia de Cafés no Porto: onde trabalhar, comer brunch e repor a cafeína

Durante muito tempo da minha vida, não gostei de café. Sempre tive um pouco inveja da galera que marcava um café, que tinha aquele prazer em tomar o café junto com a sobremesa… Pra mim, tudo que eu conseguia era fazer uma careta depois de beber o gosto amargo.

E foi assim até que, anos mais tarde, estava fazendo mestrado no Rio de Janeiro e precisava escrever, MUITO. Ficar horas e horas acordada, adentrando a noite. Voltei a tentar tomar café. Minha mãe havia comprado uma máquina de Nespresso, “what else?” e até que tinha uns sabores que eu encarava, quando bebidos com leite. (Tá bem tá bem, ainda tomo café com leite, mas antes nem assim!)

Então passei a aderir ao ritual do café às cinco da tarde. Era um momento de fazer uma pausa na escrita e na concentração, ao mesmo tempo em que me reunia com minha mãe e aproveitávamos um pouco o tempo juntas :)

Cafes com leite do Combi
Café se tornou um ritual de dose diária

O café onde me senti em casa

Há uns seis meses me mudei para o Porto, em Portugal. Na terceira semana depois da minha chegada, comecei a procurar trabalhos em livrarias, em albergues e afins. Imprimi os currículos e fui a elas. Um dos primeiros locais ficava na Rua Formosa, nº 214. Dizia Café/Livraria. Alambique era o nome. Ao entrar, me deparei com uma primeira parte, cheia de livros numa estante de um lado, e desenhos e gravuras penduradas na parede do outro lado.

Algumas pessoas sentadas pareciam absortas em seus afazeres e mais à frente, atrás do balcão, um homem com óculos de aros pretos grossos, barba desenhada e penteado de vinil tão alinhados que parecia uma propaganda de cabelereiro ambulante. Era o Luís.

Brownie sendo servido no Café Alambique no Porto
Brownies e sorrisos no Alambique

Ofereci meu currículo e logo descobri que ele era também o dono do lugar. Me falou que infelizmente não tinha como empregar alguém no momento, mas ficou encantado com minha bolsa de pano da Shakespeare & Co (uma das mais incríveis livrarias do mundo, que fica em Paris) e começamos a conversar.

Desde aquele dia, o Alambique se tornou minha segunda casa. Lá, aprendi a preparar todos os tipos de cafés vendidos na loja, como maneira de me antecipar a qualquer eventual emprego na área, fiz amigos, e ia quase todos os dias tomar um Latte (muito café e muito leite num copo gigante).

Ainda precisava do leite, mas agora conseguia entender o intenso prazer de tomar café, ou uma variação dele. Virou uma questão da dose diária. Mas sempre aquele café encorpado, especial. Não podia ser qualquer um.

Máquinas de café
Desvendando as máquinas de café

Em busca de um novo café no Porto

Acontece que a cidade vai se transformando, o fenômeno da gentrificação vai se desenhando, e a dona do prédio onde funcionava o Alambique resolveu vendê-lo para uma empresa estrangeira que pretende demolir o antigo edifício e transformá-lo num albergue… ( a localização é, afinal, no centro do Porto – com a Praça dos Aliados 10 minutos para um lado, e a estação São Bento a 10 minutos para o outro).

Fiz um vídeo no dia da festa de despedida do Alambique em homenagem ao Luís e a todos que frequentavam.

E então, com o encerramento das atividades, fui novamente jogada à selva dos Cafés da cidade do Porto. Iniciei uma ativa investigação para encontrar outros lugares bacanas e gostosos.

Mais abaixo está a lista de alguns dos Cafés que selecionei a partir da minha busca e também palpites de quais iriam melhor para cada ocasião, mas posso adiantar que o meu novo lugar preferido e que já ocupa um lugar especial no meu coração se chama Mesa 325 ♥

Requisitos para um bom Café

Quando se trata de Cafés, com “c” maiúsculo porque falo dos lugares e não (ainda) da bebida, alguns requisitos são necessários para garantir meu retorno constante e as recomendações que trago aqui.

1. O ambiente precisa ser aconchegante. De temperaturas mornas e trilha sonora agradável, daquelas em que é possível ignorar, se preciso, mas que quando toca uma daquelas favoritas, você consegue cantar baixinho junto.

Cafe e laptop no Obio, no Porto
Minha busca por bons cafés para trabalhar

2. Tem que ter tomadas e Wi-fi. Um dos meus maiores objetivos quando vou a um Café é trabalhar. Preciso ter um lugar pra sentar que seja próximo a uma tomada para alimentar o sempre esfomeado computador e a rede virtual para estar conectada com o mundo e além.

3. O café (agora sim a bebida) tem que ser uma delícia e, também, muito importante, tem que ter o preço acessível. A maioria dos expressos custa entre € 0,80 e € 1,10, mas a minha escolha de café com leite varia muito. Os mais baratos custam € 1,10, mas dependendo do lugar, podem chegar até 3 euros! Como acho isso um absurdo total, não vou nem mencionar estes locais.

São estes três os principais requisitos. Depois vem outros fatores como a decoração ou as opções de comidinhas, mas são secundários para mim.

Tipos de café em Portugal

Como eu gosto muito de café com leite, a minha bebida nestes lugares quase sempre é o Latte, ou o Galão, ou a Meia de Leite. Todos são parecidos, só varia mesmo o tamanho.

Bolinho e café com leite
Cafés em Portugal: Galão de café com leite no Combi

Em Portugal o Cappucino não é preparado com chocolate, como no Brasil. E se for, é com pó de chocolate ou pó de cacau, uma pequena diferença que não muda tanto o gosto mas encarece o preço.

O Pingo ou Macchiato é o café expresso com um tiquinho de leite, ou o que eu venho tomando pra ir diminuindo cada vez mais a dose de leite ;)

Americano é a dose do expresso numa xícara grande, tipo um café expresso mais aguado. E depois tem o expresso ou o expresso duplo, que são exatamente o que o nome indica, não tem mistério.

Guia de Cafés do Porto: para trabalhar

Alguns dos locais que eu gostei de conhecer preenchem um ou dois dos meus requisitos, são poucos os que conseguem abarcar as três grandes necessidades (saudades do Alambique ♥). Mas cada um tem o seu momento – seja uma tarde de trabalho, um brunch no fim de semana ou uma pausa no meio do passeio. Esses têm sido meus preferidos para ficar trabalhando:

Mesa 325 – O melhor no equilíbrio dos meus três requisitos. Excelentes cafés, excelente ambiente e preços acessíveis. E comidinhas saudáveis e gostosas! Foi um dos primeiros lugares na cidade a servir o que os portugueses chamam de “café de especialidade”. Agora que o Alambique fechou, tenho vindo ao Mesa 325 quase todos os dias… parte deste texto foi escrito nele :) Av. de Camilo 325. Segunda a sexta, de 8h30 às 19h, sábado até 14h.

Ambiente interno da cafeteria Mesa 325
Mesa 325: bom ambiente, bom café e wifi

Happy Nest – Criado por duas francesas, o Happy Nest tem um jardim super fofo atrás e várias bebidas de café. Tem um cardápio simples, mas tudo sempre fresco. Aos sábados e domingos, serve brunch. É um pouquinho mais caro, mas é um charme. Av. de Rodrigues de Freitas 293. Quarta a sexta, das 8h30 às 17h, sábado e domingo das 10h às 15h.

Duas de Letra – Um dos lugares mais agradáveis do Porto. Fica aberto até tarde, então é sempre a parada derradeira na procura por um lugar pra trabalhar fora de casa. A trilha sonora é uma delícia e fica em frente a um jardim, então se quiser pegar um solzinho, já tá do lado. Não gosto tanto do café em si, mas todo o cardápio é bem bom: torradas, limonadas, sopas, chás e afins. Passeio de São Lázaro 48. Todos os dias de 10h às 22h, domingo de 14h às 20h.

Veracruz Cedofeita – É simples e sem frufru. Lá o Latte é Galão. Não é um desses Cafés hipsters, mas é bem bom e bem barato. Boa opção para comer uma francesinha, o sanduíche mais típico e famoso do Porto, recheado com várias carnes e coberto com ovo, queijo e molho. Rua de Cedofeita 250. Todos os dias, de 8h30 à meia noite.

Pessoas com laptop no café Vitória
Café Vitória: um bom lugar para trabalhar

Café Vitória – O espaço é imenso com vários ambientes, dentro e fora. Apesar do cardápio ser meio salgado nos preços das comidas, o café com leite ainda é bastante acessível (custa € 1,50) e é também uma delícia! Rua de José Falcão 156. Segunda a sexta de 12h até 1h da madrugada. Sábado a partir das 14h.

Guia de Cafés do Porto: para comer

Até aqui você já percebeu que tomar café é um ritual que faz parte do cotidiano português, né? Junta isso com os pães e a pastelaria, não dá vontade de sair mais dos Cafés do Porto. Que tal umas coisinhas gostosas para comer e repor as energias ao longo do dia?

Bolinhos do Jorge – O espaço é pequenininho então não é tão propício pra ficar trabalhando. Mas vale ir pra comer um bolo, uma torrada ou os pãezinhos, todos feitos no dia pelo próprio Jorge. Rua do Heroísmo 338. Terça a sexta, das 13 às 18h30.

Vitrine da sorveteria Cremosi
Cremosi: sorveteria que serve bons cafés

Cremosi – O Cremosi é uma geladeira artesanal portuguesa que também serve bebidas quentes e crepes. Não é cara e o Latte também é muito bom. Recomendo para um fim de tarde com os amigos. Rua de Mouzinho da Silveira 342. Aberto sempre das 13h até meia noite (domingo só até 19h30).

Amarelo Torrada – Fica em frente ao Cremosi. O café é de máquina mesmo, Delta, nada de muito especial. Mas os pães, os bolos e os scones são todos de fabricação própria. São vários tipos de pães pra você escolher a sua tosta favorita. Rua de José Falcão 29. Abre todos os dias de 10h às 20h.

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Hungry Biker – Para quem ama bicicletas ou simplesmente quer tomar café da manhã a qualquer hora do dia, o Hungry Biker oferece comida saudável e um ambiente charmoso. A decoração é toda feita de materiais reciclados e você pode alugar uma bicicleta para conhecer a cidade. Rua das Taipas 68/72. Todos os dias, de 9h às 16h.

Guia de Cafés do Porto: para um brunch

Que pães e doces portugueses são maravilhosos a gente já sabe. Mas quem tem roubado a cena nos Cafés do Porto são as panquecas, que viraram uma febre nos últimos anos. Se o que você está buscando é um lugar para um brunch, daqueles longos e deliciosos, esses são alguns dos melhores da cidade:

Óbio – Abre domingo e tem brunch todos os dias. Tem espaço dentro e fora. É uma gracinha, mas não tem tantas tomadas então vem pra curtir uma leitura gostosa no bom e velho papel mesmo. Rua de Santo Ildefonso 224. Todos os dias de 8h30 às 16h.

Xícara de café e caderno
Café com meus cadernos no Óbio

O Diplomata – Ganhou fama na cidade (e no Instagram) pelas panquecas com todo tipo de coberturas e acompanhamentos. É também ótima opção para um brunch. Entretanto, não tem wi-fi. Rua de José Falcão nº32. Terça a sábado de 10h às 20h, domingo até 16h.

O Consulado – Com tanto sucesso, o Diplomata ganhou um irmão, com espaço ainda maior, onde também são servidos brunches e panquecas. As novidades no cardápio ficam por conta dos sanduíches de bagels (aqueles pães redondos) e dos drinks servidos no happy hour (de quinta a sábado, até 22h). Também não tem wi-fi. Rua de Cedofeita 382. Não abre às segundas, demais dias a partir das 10h.

O Apartamento – Outro que também é especializado em crepes e panquecas e serve brunch todo dia. Costuma encher nos fins de semana então é bom chegar cedo. Rua de Cedofeita 607. Todos os dias de 9h às 19h, quinta até 15h, domingo a partir das 10h.

Vitrine de bolinhos e croissants no Mesa 325
Bolinhos e croissants no Mesa 325

7groaster – Cruzando a Ponte Dom Luis I, em Vila Nova de Gaia, a gente encontra esse café super estiloso que serve brunch com opção vegana. Fica entre a famosa Sandeman’s e o teleférico. Rua Franca 52. Todos os dias, das 10h às 19h.

Guia de Cafés do Porto: para degustar

Ainda não cheguei ao ponto de fazer degustação de café – sigo feliz com meus Lattes. Mas existe algo encantador nos “cafés de especialidade”, a começar pelo aroma delicioso. Para quem é amante de café e quer investir em saborear todos os tipos, torras e cafeteiras, o Porto também tem boas opções:

Fábrica Coffee Roasters – Já famosos pelo café artesanal em Lisboa desde 2015, chegaram ao Porto ano passado. Os grãos de café são torrados lá mesmo, e moídos na hora do preparo. O lugar é espaçoso (pode ser também uma boa opção para trabalhar) e tem um terraço nos fundos. Um latte na Fábrica custa 2 euros. Rua de José Falcão 122. Todos os dias, das 9h às 20h.

Combi – Começou com uma kombi (curiosamente, os portugueses não chamam de “kombi”, mas de “carrinha”) que é tipo um food truck de café artesanal. Tem uma onda um pouco mais chique e também fazem torra própria no local. Com cafés de diferentes tamanhos, também servem café gelado e pastéis de nata. Rua Morgado Mateus 29. Todos os dias, das 9h às 18h30.

C’alma – Um lugar onde a degustação é levada a sério. Tem café do Quênia, de Uganda e todo canto do mundo, e os grãos são torrados por grifes como Tim Weldenboe e Luso Coffee Roasters (que também fornece para o Mesa 325). Além de todos os cafés de barista que você puder imaginar, também têm drinks como coffee lemonade. Rua de Passos Manuel 44. Segunda a sábado, das 10h às 19h.

Tem outras dicas de cafés no Porto? Conta nos comentários!

Confira também o clássico Café Majestic, que é a “Confeitaria Colombo” portuguesa, com todo o charme da Belle Epóque.