Os castelos da vida real muitas vezes não têm nada a ver com aqueles dos contos de fada (a Torre de Londres que o diga!). Mas se tem um castelo que serviria de cenário para histórias românticas certamente é Neuschwanstein, no sul da Alemanha, já perto da fronteira com a Áustria.

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A comparação com contos de fada não é por acaso… Dizem que Neuschwanstein foi a inspiração para Walt Disney desenhar os castelos da Cinderela e da Bela Adormecida 🙂

Certamente foi a realização de um sonho de viagem pra mim. Eu sempre ficava encantada quando via fotos de lá e, no fim das contas, o castelo foi um dos grandes motivos para incluirmos Munique no nosso roteiro de viagem.

Reservamos 1 dia para fazer esse bate-e-volta e, apesar do mau tempo que pegamos em Munique, demos sorte com o céu azul que apareceu justo nesse dia para embelezar ainda mais a paisagem! Minha dica para quem também sonha com essa foto de cartão postal é que não deixe o passeio para o último dia, para ter uma segunda chance caso o tempo esteja feio.

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Neuschwanstein tem uma história muito interessante. Era o castelo dos sonhos de Ludwig II, que ficou conhecido como o rei louco da Baviera (ou Bavária, como queiram). Ele queria um lugar onde pudesse se cercar de beleza e se isolar do resto do mundo. “A localização é a mais bela que alguém pode encontrar, sagrada e inacessível”, escreveu Ludwig em 1868 numa carta ao compositor clássico Wagner, que era seu amigo (and maybe more… rs).

Para criar o castelo, o rei contratou não um arquiteto, mas um cenógrafo de teatro. E fez questão de se encarregar pessoalmente dos detalhes. O conto medieval germânico “Cavaleiro do Cisne”, que serviu de base para a ópera Lohengrin, composta por Wagner, foi também um tema central para a decoração do castelo e para os afrescos nas paredes.

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Talvez o próprio nome Neuschwanstein faça alusão ao conto, pois significa “o novo cisne na pedra”, mas acredito eu que a referência principal seja ao castelo dos pais de Ludwig, onde ele passou sua infância, que se chama Schloss Hohenschwangau – “o castelo do grande condado do cisne”. De toda forma, o tal do cisne se tornou um símbolo do rei.

Para conhecer o castelo por dentro, é preciso fazer a visita guiada, que custa € 12 e dura cerca de meia hora. Acho que vale a pena, inclusive para saber um pouco mais sobre a história de “Mad Ludwig” e seu fascínio pelo luxo. A exuberância é tanta que 14 carpinteiros trabalharam por 4 anos apenas para fazer o quarto de dormir. Logo ao lado, uma capela decorada com coroas bizantinas, além de uma grande pintura de São Jorge, padroeiro da família real da Baviera.

Neuschwanstein tem seu estilo inspirado no século XIII, mas era um castelo moderníssimo para a sua época. Assim como os palácios de Linderhof e Herrenchiemsee, outras duas grandes construções de Ludwig II, Neuschwanstein marcou grandes avanços da arquitetura no século XIX, como o uso de água corrente, eletricidade e estrutura de aquecimento.

Nos seis únicos cômodos que chegaram a ficar prontos, móveis em madeira ricamente talhada, bancadas de mármore, lustres e detalhes com imagens de cisnes para todos os lados dão uma ideia do que Neuschwanstein teria sido. O projeto nunca foi concluído – a construção foi suspensa após a morte de Ludwig, menos de 6 meses depois de que passou a morar lá. Bem no final da exposição tem um vídeo que mostra melhor como o castelo seria se a obra tivesse ido adiante. É impressionante!

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Durante 17 anos, o rei colocou na obra todo o dinheiro que tinha e o que não tinha, e o resultado foi uma dívida que não agradou nada a família real. Ludwig não era um monarca muito engajado e vivia em suas fantasias de luxo. Os gastos descontrolados e a excentricidade, somados à desistência de seu noivado com a duquesa Sofia Carlota (irmã da imperatriz Sissi da Áustria) e consequente decisão de jamais se casar, fizeram com que o rei acabasse deposto, após um controverso diagnóstico de insanidade – daí o apelido “Mad Ludwig”.

Para ver Neuschwanstein de pertinho, é bom reservar um dia inteiro para o passeio. O castelo fica numa cidadezinha a cerca de 2 horas de Munique, chamada Füssen. Para chegar no lá, você pode pegar um trem da Hauptbahnhof (estação central de Munique) até Füssen e depois um ônibus até o pé da colina do castelo. A gente explica tudo tim-tim por tim-tim no post “Como chegar em Neuschwanstein”.

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Não deixe de ir até a ponte Marienbrücke, de onde se tem a vista mais bonita e completa do castelo (e de onde se tira aquela foto de cartão postal). Depois de 40 minutos de subida íngreme, a gente perde o pouco fôlego que resta quando chega lá em cima e se depara com a paisagem maravilhosa dos Alpes Bávaros e da região da Floresta Negra. Mesmo no inverno, o castelo e os alpes cobertos de neve são um cenário e tanto! No dia que a gente foi ainda tinha um músico tocando viola de roda, para a cena ficar ainda mais medieval!

Quem tem um pouco mais de tempo pode esticar o passeio e aproveitar para conhecer outras duas atrações de Füssen: o palácio de Hohenschwangau e o Museu dos Reis da Baviera (há um ingresso combinado que sai por € 29,50 enquanto apenas Neuschwanstein custa € 12).

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Outra opção legal para quem está passando uma temporada na Alemanha é o ticket “Königsschlösser“, que dá direito a visitar os três castelos de Ludwig II (Neuschwanstein, Linderhof e Herrenchiemsee) num período de 6 meses.

Leia também:

Como chegar em Neuschwanstein
Leeds Castle, castelo mais adorável da Inglaterra

 

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