O bairro do Marais, além de muita história, possui um charme único em Paris, com suas pracinhas e ruelas cheias de restaurantes interessantes, galerias de arte e lojas com ótimos achados. É nesta parte encantadora da cidade que se encontra o Museu Picasso, um dos meus favoritos de Paris.

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Museu Picasso em Paris – foto: Pankaj Kaushal

Além de obras dos diferentes períodos da trajetória de Pablo Picasso, o museu exibe a coleção particular do pintor, com quadros de artistas de vanguarda que eram seus amigos – Matisse, Cézanne, Renoir, entre outros.

Fundador do cubismo e membro do surrealismo, Picasso foi também um dos pioneiros a usar a colagem como linguagem artística moderna e experimentou com diversas técnicas de gravura e cerâmica. Mais do que isso, escreveu centenas de poesias e se dedicou ainda ao teatro – tanto na cenografia quanto na dramaturgia (não é qualquer um que tem sua peça interpretada por Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir!).

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No Museu Picasso em Paris, entre quadros e esculturas, a gente encontra croquis, rascunhos e colagens que dão uma ideia do processo criativo por trás das obras mais conhecidas. Também achei muito interessante ver os documentos, vídeos e fotos da vida de Picasso, que nos permitem entrar no mundo dele e viajar em todas as suas fases artísticas.

O museu funciona na bela mansão do Hôtel Salé, que passou 5 anos em reforma e reabriu as portas em 2014. É um passeio bem tranquilo, mas é sempre melhor ir durante a semana, já que no fim de semana as filas podem ser maiores (se for o caso, compre ingresso antecipado online).

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Hôtel Salé, Museu Picasso – foto via

Uma dica é se programar para ir durante a manhã, para depois bater perna pelo bairro do Marais e almoçar em uma das várias creperias que tem por ali.

Por onde andava Picasso em Paris

Nascido em Málaga, na Espanha, Picasso passou grande parte de sua vida na França e construiu um laço forte com a Cidade Luz.  Lá ele conviveu com escritores e intelectuais da época – como Max Jacob, Gertrude Stein, André Breton (fundador do surrealismo) e Guillaume Apollinaire (autor do manifesto cubista). Juntos, eles discutiam ideias modernistas e faziam experimentações na arte e na literatura.

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Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre e amigos no ateliê de Picasso em 1944

Depois de visitar o museu, para continuar a explorar os passos de Picasso em Paris, vale incluir mais alguns endereços no roteiro. Em Montmartre está localizado o Bateau-Lavoir (13 Rue Ravignan na Place Emile Goudeau), um edifício famoso na história da arte por ter servido de ateliê e residência para vários artistas, entre eles Juan Gris, Modigliani…. e Picasso.

Ali ele pintou um de seus trabalhos mais notáveis: Les Demoiselles d’Avignon, considerado o ponto de partida para o cubismo, atualmente em exposição no MoMA de Nova York.

A região de Montparnasse foi outro importante ponto de encontro da vida artística e intelectual parisiense e também serviu de moradia para Pablo, que teve seu estúdio localizado no número 242 da Boulevard Raspail. Para aproveitar mais ainda o passeio pelo bairro, vale a pena subir até o terraço da Torre de Montparnasse e apreciar a vista linda que se tem da cidade.

Do outro lado do Jardim de Luxemburgo, chegando no bairro de St. Germain de Près, ainda é possível comer um croissant em dois dos cafés frequentados por Picasso e outros artistas: Café de Flore e Les Deux Magots, hoje bastante turísticos. Ele morava a 10 minutos dali, num casarão na Rue des Grands Augustins, quando pintou uma de suas obras mais famosas, Guernica.

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Picasso na Rue des Grands Augustins, 1948 – foto: Herbert List

Depois de Paris, Picasso segue para viver no sul da França, mas toda essa história fica para uma outra viagem. Pelo que a Lu contou para a gente sobre Côte D’Azur e Provence, uma coisa é certa: o que não falta lá é arte!

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