Mdina de Malta: a cidade silenciosa

A gente estava indo visitar uma medina, a Mdina de Malta. A muralha e as construções eram todas de calcário, dando um tom amarelado às ruas que tinham placas em uma língua que não dava para ler. Mas o som que ecoava pela Cidade Silenciosa não vinha do azan, vinha dos sinos.

Apesar do nome de cidadela árabe, a Mdina de Malta tem em sua praça central uma igreja católica em vez de uma mesquita. É o exemplo perfeito de como as influências europeias e árabes se misturam na história da ilha.

Mdina de Malta - Catedral de Sao Paulo Mdina
Entrada da Catedral da Mdina

A região havia sido habitada pelos Fenícios, que iniciaram a fortificação no ano 1000 a.C., mas a cidade de desenvolveu mais significativamente a partir do Império Romano, no século 3, e seguiu sendo a capital de Malta por todo o período medieval, que incluiu uma ocupação árabe.

Até que, no século 16, com a chegada dos Cavaleiros da Ordem de São João e a transferência da capital para Valletta,  a Mdina começou a parar no tempo.

Mdina de Malta - Casas perto da Bastion Square
Um cenário de viagem no tempo

A cidade silenciosa

Assim como a atual capital de Malta, a Mdina é uma cidade murada. Fica mais ao centro da ilha, longe do porto, mas sua localização no alto de uma colina era estratégica para observar o território – o que garante uma vista maravilhosa para quem visita, dá para ver até o mar!

Muito mais tranquila que qualquer medina do Marrocos, a Mdina de Malta ficou conhecida como Cidade Silenciosa – apelido que se prova verdadeiro especialmente à noite, quando os turistas vão embora.

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Portão da Mdina: entrada para a Cidade Silenciosa

Apenas 300 pessoas vivem lá atualmente e só elas têm autorização para circular com carros, o que faz as ruas ficarem realmente calmas. Com tão poucos moradores, a Mdina se tornou uma cidade-museu.

Cenário de Game of Thrones

A visita começa ao cruzar a ponte do fosso e chegar ao Portão da Mdina – que serviu como cenário de Kings Landing, capital de Westeros, na 1ª temporada de Game of Thrones.

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Mdina: portão que foi cenário de King’s Landing em Game of Thrones

Pertinho do portão fica uma das construções mais bonitas da cidade, o Palazzo Vilhena, que funcionou como hospital em alguns períodos do passado e hoje abriga o Museu de História Natural de Malta.

Tem um escritório de turismo logo em frente ao Palazzo Vilhena, onde você pode pegar um mapa. Mas a cidade é tão pequenininha que nem corre risco de você se perder! O legal é ir explorando as ruazinhas e se deixar surpreender ao encontrar palácios, igrejas, mirantes.

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Palácio Vilhena: um dos mais bonitos da Mdina

O que ver na Mdina de Malta

O maior ponto de referência da Mdina é a Catedral de São Paulo, que fica na praça principal, onde um dia era o palácio do governador romano. Essa foi a única catedral em Malta até o século 16, quando passou a dividir o título com a Co-Catedral de São João, erguida em Valletta.

Um terremoto em 1693 fez a Catedral de São Paulo perder a arquitetura original do século 6 e ganhar o estilo barroco que estava em alta na época. E assim aconteceu com muitas outras construções, transformando significativamente a Mdina.

Mdina de Malta - Catedral de Sao Paulo Malta
Catedral de São Paulo, na Mdina de Malta

No interior da igreja, as pinturas representam a vida de São Paulo e contam a história do naufrágio que levou o santo a viver em Malta no século 1. Foi o início de toda a tradição católica na ilha.

Você também não pode ir embora sem antes ver o Bastião, trecho mais alto das muralhas, no canto oposto ao Portão da Mdina. É de onde se tem a vista mais bonita!

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Mdina de Malta - Vista da Bastion Square Mdina
Vista da muralha da Mdina, na Bastion Square

Fiquei apaixonada pelas mansões nos arredores da Bastion Square, que parecem ainda ser residenciais. Aproveite para tomar um sorvete na Fior di Latte ou comer um pedaço de bolo no Fontanella Tea Garden enquanto curte a paisagem :)

Se perder pelas ruas da Mdina

A Mdina às vezes parece um labirinto, e é interessantíssimo ir percorrendo as passagens simplesmente para observar os detalhes das construções. A arquitetura medieval se mistura com a arquitetura barroca, e a cor da pedra calcária faz as duas se equalizarem pelas ruas estreitas.

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O labirinto das ruas da Mdina de Malta

Se quiser conhecer um dos casarões por dentro, para ver como a nobreza de Malta vivia no século 16, o Palazzo Falson é um museu aberto ao público, com uma coleção de antiquidades e armaduras. Fica na Triq IL Villegaignon, que é a rua principal.

Para almoçar por ali, há alguns restaurantes simpáticos como o Coogi’s, na Esplanada de Santa Ágata e a Trattoria AD 1530, no hotel Xara Palace (que, aliás, é uma opção para quem quer uma hospedagem bem romântica e exclusiva).

Mdina de Malta - Praca Sao Paulo Pjazza San Pawl
Praça São Paulo, ou Pjazza San Pawl em maltês

O passeio pela Mdina e Rabat

Em menos de 1 hora dá pra ver os principais palácios e a catedral da Mdina, mas reserve mais tempo caso queira parar em um restaurante ou visitar os museus do Palazzo Vilhena, Palazzo Falson ou o Museu da Catedral.

Dali, dá para emendar o passeio para Rabat, uma região que no passado também pertencia à Mdina, mas foi separada quando os árabes reduziram os limites das muralhas.

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Mdina de Malta - Bastion Square Mdina
O encanto da Mdina está nos detalhes

Em Rabat há muitas atrações históricas como Domus Romana, sítio arqueológico com muitos artefatos do antigo império, e a Catacumba de São Paulo, onde o apóstolo teria se abrigado durante a perseguição romana aos católicos. Outro passeio interessante para quem curte viajar pela história!