O que fazer em Malta (ou quando me apaixonei pelo Mediterrâneo)

Sabe quando a gente faz tanta coisa numa viagem que a gente volta precisando de férias para descansar das férias? A minha viagem para Malta foi exatamente esse momento de descanso depois de um roteiro intenso pela Espanha!

Foi uma viagem completamente atípica para mim. Há muito tempo eu não viajava sem planejamento (editar o blog fez aumentar muito o meu nível de pesquisa) mas desta vez eu e Guilherme resolvemos simplesmente improvisar e desacelerar. E não tem lugar melhor para fazer isso do que uma ilha cercada pelo Mediterrâneo! Água transparente, praia sem muvuca, paisagens maravilhosas… Eu me apaixonava a cada mergulho! ♥

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Passeio de barco em Malta

Não posso falar sobre os pontos mais badalados da ilha, porque optamos por um tipo de viagem mais relax… mas vou contar um pouco sobre a nossa experiência e sobre o que fazer em Malta:

Como chegar em Malta

Combinar Espanha e Malta na mesma viagem foi bem fácil, pareceu uma dobradinha perfeita! Usamos duas companhias aéreas low cost: voamos Ryanair de Madri para Malta e depois pegamos a Vueling de Malta para Barcelona.

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Voo low cost

Embora não tenha muita chuva ao longo do ano, dê preferência para viajar entre maio e outubro para aproveitar melhor as praias e poder entrar na água (que é geladinha mesmo no verão).

Hotel em Mellieha, no norte de Malta

Viajamos em agosto e, para fugir dos preços da super-alta temporada, ficamos numa pousada pequena em Mellieha, um bairro longe da badalação de St. Julian’s. O Splendid Guest House era um bed & breakfast simples e meio hippie, parecia que a gente estava na casa de praia de um amigo. Não era uma localização central, mas tinha um mercado e meia dúzia de bons restaurantes na esquina – onde aproveitamos para experimentar comidas regionais, como carne de coelho e queijo de cabra.

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Praia de Mellieha

A praia de Mellieha Bay é tranquila, tem água cristalina e serve de ponto de partida para o passeio de escuna até a Blue Lagoon em Comino ♥ Desta região também sai o ferry boat para a ilha de Gozo, onde ficava a famosa Azure Window.

Veja as dicas de Gozo e Comino, duas ilhas absurdamente lindas em Malta

Como circular em Malta

As linhas de ônibus se concentram mais pelo lado leste da ilha, onde ficam as cidades mais turísticas: Valletta, Sliema e St. Julian’s (o lugar das baladas e das escolas de inglês para intercâmbio). O bilhete de ônibus custa 2 euros e vale por 2 horas, podendo usar o mesmo ticket se você tiver que trocar de linha.

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Marsaxlokk: vila de pescadores

O Google Maps funciona bem, mas as informações sobre linhas de ônibus (trajetos e horários) só aparecem se você estiver online. Os trajetos de táxi (ou car service/motorista particular) são caros: calcule cerca de 30 euros para um trecho da região sul à região norte.

Aluguel de carro em Malta

O ideal teria sido alugar um carro, pois esse é o melhor jeito de conhecer a ilha (especialmente se o seu hotel for na parte norte, como o nosso). Ter um carro dá muito mais flexibilidade para visitar os cantos mais remotos e fazer seus próprios horários. Vimos em agosto o valor de 40 euros por dia – um preço bem razoável para os padrões da Europa.

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Carros no Ferry para Gozo

O estacionamento é “free style”, não precisa pagar nem comprar ticket, basta encontrar um espaço na rua ou nas redondezas da atração. A única pegadinha é que, por fazer parte da Commonwealth do Reino Unido, em Malta se usa a mão inglesa – e você pode levar um tempo para se acostumar a dirigir do lado invertido.

Elo perdido entre Oriente Médio e Europa

A ilha de Malta fica no meio do Mediterrâneo, com a Itália de um lado e a Tunísia do outro. Você vai reparar que em alguns aspectos Malta tem jeito de Oriente Médio – a arquitetura, a sonoridade da língua local, o nome das ruas… Mas no meio da Mdina de Malta, a gente encontra uma catedral católica em vez de uma mesquita – o que mostra a forte influência italiana. Heranças históricas dos árabes e dos romanos se alternam por todo lado.

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Em frente à estação das barcas em Gozo

Adicione a isso um bocadinho de influência britânica, por ter sido governada pelo Reino Unido por mais de um século até a recente independência, em 1947. Daí vêm a mão invertida nas estradas, a tomada no padrão do UK e o inglês como segunda língua dos malteses. Mas não se confunda: há quase 10 anos o país faz parte da UE e a moeda de Malta é o euro.

Ônibus hop-on hop-off em Malta

Como estávamos sem carro e completamente adeptos da viagem-preguiça, fizemos um Sightseeing Tour “tiozão” naqueles ônibus de dois andares. Tem suas vantagens: é bastante cômodo não ter que resolver o deslocamento entre uma atração e outra, além de ter o audioguia com informações interessantes sobre as atrações e o país como um todo.

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Por outro lado, mesmo usando uma empresa com operação internacional, o serviço do City Sightseeing em Malta é meio desorganizado – os pontos do ônibus não são sinalizados e os horários não são regulares. Tem uma outra empresa concorrente, mas é a mesma bagunça.

Também achei o horário meio curto (os últimos ônibus saem às 15h), você tem que escolher poucos lugares para descer se quiser completar o circuito. A boa notícia para nós é que tinha uma van que nos levava do ponto final até Mellieha, o bairro mais distante onde estávamos hospedados.

Blue Grotto: a gruta de água azul

Um dos lugares mais deslumbrantes de Malta é a Blue Grotto. O passeio de barco para ver a gruta custa 8 euros por pessoa, investimento totalmente razoável para ver cenários tão fantásticos. O mar ganha cores maravilhosas com a combinação de sol forte, água transparente, areia branca e algas levemente fluorescentes! É apaixonante quando a gente vê o azul clarinho desta parte da gruta se encontrar com o azul escuro característico do Mediterrâneo ♥

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Blue Grotto

As ilhas de Comino e Gozo, que fazem parte do arquipélago de Malta, completam a lista das paisagens mais lindas da viagem – dá uma olhada nas dicas aqui.

Todo passeio termina em praia

O sol é forte e o protetor solar vai ser seu melhor amigo nessa viagem. O biquíni e a sunga também têm que estar sempre na mochila, porque qualquer passeio pela costa dá num lugar onde a água é linda, transparente e super convidativa!

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“Praia” em Blue Grotto

Em Malta não é preciso ter “praia” para ter mergulho no mar! Na verdade, os lugares onde eu mais gostei de nadar eram justamente aqueles que não tinham areia, apenas uma margem de água do mar perto das pedras (às vezes tem uma escadinha para entrar na água).  A galera estica uma toalha ou tapete de borracha numa parte mais reta das pedras e é isso aí! 😀

Nesses casos, é indispensável ter uma sandália que fique presa ao pé para aguentar andar sobre as rochas. Os europeus usam uma espécie de sapatilha de borracha para entrar na água – um item não muito conhecido pelos brasileiros, mas muito útil nas praias do Mediterrâneo, que têm pedras no lugar de areia.

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Mediterrâneo ♥

Doces de mel em Malta

Malta tem uma longa tradição na produção de mel – e, por ser uma ilha isolada, tem até alguns tipos únicos de abelhas. O mais interessante é que o mel maltês é 100% puro, não leva glicose de milho nem nada do tipo. Por isso mesmo, o mel não é muito barato (um pote custa uns 10 euros)… mas garanto que é muito gostoso!

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Mel puro de verdade

Você encontra mel e produtos derivados nos mercados de bairro ou em feiras como a que acontece aos domingos de manhã em Marsaxlokk. Se quiser provar um doce típico da região, experiente o Honey Ring, uma espécie de pão de mel dentro de uma casquinha de biscoito.

Mdina e os monumentos de Malta

Se as paisagens naturais já não fossem suficientes, Malta ainda tem um centro histórico que combina a herança árabe com a herança romana. Testemunha de todas as batalhas pelo domínio da ilha, a Mdina é a cidade murada que fez papel de forte e também de capital – mas hoje é um lugar tão tranquilo que ganhou apelido de “Silent City”.

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King’s Landing

Na 1a temporada de Game of Thrones, os portões e ruas da Mdina de Malta foram usados como locação para King’s Landing, capital de Westeros.

Em pouco mais de meia hora dá pra ver os principais palácios e a catedral da Mdina – tudo construído com a pedra calcária que caracteriza a arquitetura da ilha. Dali, você pode partir para Rabat, onde ficam atrações históricas como Domus Romana e a Catacumba de São Paulo.

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Mdina de Malta

Valletta, capital de Malta

Capital de Malta, Valletta é uma área bastante movimentada, com opções de hotéis e um terminal de ônibus que conecta toda a ilha. Deixe algum tempo para se perder pelas escadarias entre suas construções históricas até chegar à Co-Catedral de São João.

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Três Cidades

As duas enseadas que cercam Valletta são lindas: de um lado o domo da Igreja Carmelita domina a paisagem e do outro estão as Três Cidades – Vittoriosa, Senglea e Cospicua – região que era a principal base para os Cavaleiros da Ordem de São João (que usavam o famoso símbolo da Cruz de Malta).

Crafts Village

Embora esteja no roteiro dos ônibus turísticos, a Crafts Village é um pedacinho muito curioso de Malta que quase ninguém conhece!

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Ateliês na Crafts Village

Os antigos Barracks usados por militares ingleses na Segunda Guerra Mundial passaram décadas abandonados e hoje servem como ateliês para artesãos, vidraceiros, marceneiros, joalheiros… Eu, que amo ver a indústria criativa transformando os lugares, achei bem interessante e fiquei imaginando como esse vilarejo poderia ficar incrível se os galpões fossem grafitados! Bem que podia rolar uma edição do Malta Street Art Festival por lá! 🙂

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Barracks da Segunda Guerra

Templos do período Neolítico

Malta é riquíssima em sítios arqueológicos do período Neolítico! Vale incluir no seu roteiro ao menos 1 ou 2 de templos megalíticos, para ver de perto as ruínas que são o único registro da civilização de 6 mil anos atrás.

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Caminho para Hagar Qim

O que eu mais gostei foi o templo Hagar Qim, onde as ruínas ficam perto do mar e a visita começa com um filme 4D que é bem legal para ter uma idéia de como era o templo na época em que foi construído. Também tem uma exposição interativa bem legal, em que a gente pode sentir a textura das pedras, ver as estátuas reconstruídas etc.

Também conhecemos o templo de Tarxien, que tem alguns trechos ainda com desenhos e decorações nas pedras e é bem rápido de visitar. Sugiro baixar o app do áudio-guia (tem wifi no local) para aproveitar melhor a visita.

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Detalhes do templo megalítico

O Hypogeum, que dizem ser o mais impressionante de todos os templos de Malta, é o mais difícil de ser visitado pois passa longos períodos fechado e, mesmo quando há visitas, permite a entrada de apenas 80 pessoas por dia. (consulte o site oficial com pelo menos 1 mês de antecedência para comprar ingressos online). Com 2 andares subterrâneos, ele foi capaz de conservar salas inteiras e pinturas pré-históricas nas paredes – deve ser mesmo incrível!

Comino e Gozo: as outras ilhas de Malta

Não falta o que fazer em Malta! É um lugar único e super pitoresco, onde você pode ir das praias mais lindas do verão europeu aos sítios arqueológicos mais antigos do mundo num só passeio… E ainda tem o toque de influência árabe que dá certo charme de choque cultural, para deixar a viagem ainda mais interessante 🙂

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Blue Lagoon em Comino

Mas o roteiro não está completo antes de dar ao menos um mergulho nas águas clarinhas de Comino e um pulo em Gozo. A gente conta mais sobre as ilhas de Malta nesse outro post aqui!

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