Entre os anos 70 e 90, Londres se tornou uma grande capital da indústria fonográfica e viu surgir diversos movimentos derivados do rock’n’roll – desde o iêiêiê dos Beatles e o rock progressivo do Pink Floyd até o britpop que levou às bandas contemporâneas, como Arctic Monkeys e Muse.

Os estúdios da cidade recebiam bandas que eferveciam em todo o Reino Unido. Em 1987, quando a MTV abriu sua primeira filial na Europa, não havia lugar melhor que Londres para a emissora se instalar.

The Verve - Urban Hymns (1997)

The Verve – Urban Hymns (1997)

Na época em que a música não era digital, a capa dos discos tinha um significado particularmente expressivo. Fotografias e ilustrações eram altamente representativas da estética de cada banda e do cenário em que se inseria. Nada mais natural que as ruas de Londres passassem a figurar nas capas de muitos dos discos que fizeram a história do rock. Veja alguns dos álbuns mais icônicos:

Beatles – Abbey Road (1969)

A lendária foto de John, Paul, George e Ringo atravessando a faixa de pedestres foi tirada bem em frente ao estúdio de gravação que fica no número 3 da rua que dá nome ao álbum. Ainda hoje, 45 anos depois, o pessoal do Abbey Road Studios vê diariamente (e transmite ao vivo pela internet) centenas de turistas em frente a sua casa, atravessando para lá e para cá, tentando reproduzir a cena.

Flashmob Abbey Road

Flashmob de 40 anos do disco Abbey Road (imagem via)

David Bowie – Ziggy Stardust (1972)

Todo mundo reconhece a música Starman, hit do disco The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, considerado um dos melhores da década de 70. David Bowie fez a foto de capa na porta de número 23 da Heddon Street, uma pequena rua de pedestres próxima à Regent St. Hoje com muitos restaurantes charmosos com mesinhas na calçada, em 2012 o lugar ganhou uma plaquinha para consagrar o personagem Ziggy. Também achei interessante ver essa galeria com as outras fotos do mesmo ensaio.

Pink Floyd – Animals (1977)

Em outubro de 2011, um porquinho inflável foi posicionado sobre a usina elétrica de Battersea para recriar a capa do Pink Floyd depois de mais de 30 anos – era uma ação de lançamento da obra remasterizada da banda. Atualmente desativada, a usina pode ser vista da Battersea Park Road, mais ou menos na altura da Savona Street. O Doug, do blog Viagem Lado B, esteve lá e contou nesse post aqui. Dizem que a ideia original de Roger Waters era que tivessem outros balões de animais sobrevoando a usina (provavelmente um cachorro e uma ovelha), mas houve uns imprevistos e a capa ficou só com o porco mesmo…

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Capa do Pink Floyd reencenada em 2011

The Clash – The Clash (1977)

Esses tijolos não poderiam ser em outro lugar senão em Camden, o bairro que foi palco do movimento punk no fim da década de 70. Naquela época, Camden Town era onde moravam, ensaiavam e se apresentavam bandas como Clash e Sex Pistols. Até os Ramones viajaram de Nova York para tocar por lá. A foto tinha sido tirada em uma rampa do Stables Market, bem perto do estúdio deles. Hoje em dia, a rampa virou uma escada e já não tem as vigas em cima.

Pink Floyd – The Division Bell (1994)

Retratadas originalmente no Reino Unido, em um campo a cerca de 20 minutos de Cambridge e com a Catedral do vilarejo de Ely ao fundo, as esculturas que aparecem na capa do disco Division Bell, do Pink Floyd, hoje fazem parte do acervo do Rock and Roll Hall of Fame que fica em Cleveland (Ohio, EUA).

Oasis – (What’s the Story) Morning Glory? (1995)

Um dos maiores sucessos de vendas da década de 90, o disco que lançou a música Wonderwall teve sua capa fotografada por Michael Spencer Jones, que também assinou muitas outras capas de grandes bandas da mesma geração. O local escolhido foi a Berwick Street, no Soho, próximo à D’Arblay. Na época, a rua era famosa por ser o endereço das melhores lojas de discos na cidade – hoje, com o consumo de mp3 e outros formatos digitais, maior parte dessas lojas já teve suas portas fechadas.

Blur, The Verve e outros mais

Para completar a lista de discos londrinos, vale mencionar o Between The Buttons (1967) com a foto dos Rolling Stones no Primrose Hill, e o Urban Hymns (1997) em que a banda The Verve aparece sentada nos gramados do Richmond Park (adivinha o fotógrafo? Spencer Jones!).

E, ainda que não seja uma foto de Londres, faço questão de incluir na lista a capa da coletânea The Best of Blur (2000), de uma das bandas ícones do Britpop.  A gravura da ilustração de traços simples e coloridos do artista Julian Opie pode ser vista em exposição na National Portrait Gallery, que fica na Trafalgar Square, em Londres.

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Gravura do Blur na National Portrait Gallery (imagem via)

Já a coletânea Under the Influence, lançada em 2003 em tributo a Morrissey, traz na capa uma foto do vocalista do Smiths em frente ao pub Grave Maurice (269 Whitechapel Road), que infelizmente fechado em 2010. Se você for lá agora, vai encontrar no lugar apenas uma loja de empréstimos e outra de apostas, chamada Paddy Power – que, do lado de dentro, mantém a inscrição “Grave Maurice Rebuilt 1874” na parede, em homenagem.

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7 Comentários

  1. […] Para completar, em Londres também tem dois lugares imperdíveis para os beatlemaníacos:  o prédio da Apple Records (3 Savile Row, próximo à Regents Street), em que eles fizeram o lendário show no terraço em 1969, e a faixa de pedestres em frente ao estúdio da Abbey Road (a estação de metrô mais próxima é St John’s Wood, mas tem que andar um bocado ainda) – muito embora o visual não veja o mesmo hoje em dia, já que rua é super movimentada e cheia de turistas pra lá e pra cá tentando tirar uma foto que lembre a capa do disco. Não deixe de ver o post sobre lugares de Londres imortalizados em capas de grandes álbuns do rock. […]

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