Quem viaja para Berlim vê os resquícios por todos os lados: pedaços do muro que dividiu o mundo se tornaram monumentos, obras de arte, registros de uma fase difícil da história alemã.

A gente falou aqui no blog sobre 3 lugares para ver o Muro de Berlim, mas visitá-los faz muito mais sentido se a gente entende a história que estava por trás de sua construção… Então vou tentar resumir aqui bem rapidinho o que eu aprendi durante a nossa viagem sobre a história do Muro de Berlim:

Muro de Berlim - posters em Berlim

Cartazes de festas e shows no muro

Com a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, cada país das Forças Aliadas ganhou um setor da cidade de Berlim, então uma parte ficou com os EUA, outro com a Inglaterra, outro com a França e outro com a União Soviética. Os três primeiros se uniram na chamada Berlim Ocidental, que seria anexada à República Federal da Alemanha, de economia capitalista. O último pedaço se tornou Berlim Oriental, a capital da República Democrática Alemã (RDA), com regime comunista.

Durante 40 anos que se sucederam, Berlim viveu uma situação surreal: tinha uma “ilha” capitalista no meio de um país soviético. Berlim Ocidental fazia questão de exibir seu status e exaltar seus sinais de progresso, pois a indústria comunista evoluía em ritmo muito mais lento. Isso atraía muitos cidadãos do lado oriental, interessados em migrar em busca de um estilo de vida melhor.

Obviamente, o governo comunista não gostava nada dessa situação, pois mostrava fraqueza do seu sistema econômico, então eles resolveram isolar a passagem entre os dois setores.

Historia do Muro de Berlim - Muro destruido

O “muro da vergonha”

Além disso, como Berlim Ocidental era um enclave no território da RDA, Stalin queria se aproveitar desse fato para criar bloqueios de comunicação e abastecimento, na tentativa de forçar os Aliados a abrirem mão de sua parte da cidade. E assim surgiu a brilhante ideia de erguer o Muro de Berlim, carinhosamente apelidado de “o muro da vergonha”. Se o lado comunista já era mal visto antes, a repressão e a violência para manter a separação das duas partes manchou de vez a imagem dos regimes socialistas europeus.

Durante quase 30 anos, os cidadãos foram impedidos de circular, quem trabalhava do outro lado perdeu o emprego, parentes ou namorados que moravam em lados diferentes do muro não puderam mais se ver… Tudo mudou. Isso para não falar nas discrepância econômica e social que crescia a cada ano. A coisa foi tão radical que milhares de cidadãos arriscavam suas vidas para cruzar a fronteira.

Grafite no muro: capitalistas quadrados virando a cara para o lado oriental

Grafite no muro: capitalistas quadrados virando a cara para o lado oriental

Não faltam museus e memoriais em Berlim para mostrar o pesadelo que era morar numa cidade dividida e disputada em cabo-de-guerra. O Mauer Museum, no Checkpoint Charlie, e o Berlin Wall Memorial, na Bernauerstrasse, são apenas dois lugares para ver como o Muro de Berlim afetou a vida de milhares de famílias alemães. Tem também o Museu do DDR, que retrata o cotidiano das famílias na Alemanha comunista.

Quando finalmente foi derrubado, em 1989, Berlim precisou se reinventar. Imagina: depois de 28 anos de separação, havia uma geração inteira de pessoas que não sabia como era o mundo além do muro.

A criação da East Side Gallery, com mais de 100 grafites dando novas cores e significados aos blocos de concreto que dividiram a capital, foi apenas o começo. A transformação continua e faz de Berlim uma cidade diferente de todas as outras do mundo.

Muro de Berlim - Foto da Queda do Muro de Berlim no Checkpoint Charlie

Foto do dia da queda no Mauer Museum

Mesmo nos trechos onde o muro foi derrubado, há uma faixa de metal no chão marcando o antigo traçado. Uma parte legal da cidade para ver isso é entre o Portão de Brandemburgo e o Reichstag – é o lugar perfeito para lembrar daquela imagem da população subindo no muro com o portão logo atrás, no dia da reunificação.

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