No século 19, um explorador francês encontrou as ruínas de um templo perdido que hoje viria a ser um Patrimônio da Humanidade. Angkor Wat, que começou a ser erguido no começo do século 12 pelo rei hindu Suryvaman II, passou 400 anos abandonado após o declínio do Império Khmer.

Foi apenas a partir de 1992, com o início dos projetos de restauração e o título conferido pela UNESCO, que o complexo de templos de Angkor, a 5 km e meio da cidade de Siem Reap, colocou o Camboja no mapa dos grandes roteiros turísticos do mundo. Certamente é um dos pontos altos de toda viagem pelo Sudeste Asiático.

Angkor Wat - O reino de Angkor chegou a ter 1 milhao de habitantes

Céu azul em Angkor

O templo principal, que leva o nome do complexo, levou pouco mais de 35 anos para ser construído e o esforço de nada menos que 350 mil trabalhadores e mais de 12 mil elefantes. Dentre tantas coisas impressionantes sobre esse monumento, uma das mais surpreendentes é que, de todos os 350 mil trabalhadores, 95% eram voluntários – homens que queriam expressar sua gratidão e devoção ao seu deus.

Mesmo Angkor Wat já possuindo o título de maior templo do mundo, esse fato, em minha opinião, também o torna o lugar mais sagrado do mundo – cada pedra foi colocada por alguém que estava ali pela própria fé.

Angkor Wat - Templo perdido no Camboja

O lugar mais sagrado do mundo

Esse sentimento é ainda mais elevado pela magnitude da estrutura. Cada aspecto arquitetônico do templo possui seu simbolismo religioso. O fosso de 200 metros de largura que cerca o templo representa os oceanos que cercam o cosmo, as 5 torres do templo representam o monte Meru (montanha mítica hindu).

Nas paredes dos salões, uma litania em cada quadrante. Os desenhos nas pedras contam as guerras mitológicas entre deuses e demônios entre outras histórias.

Ruinas com desenhos de dancarinas Apsara

Nanda e as dancarinas Apsara

Toda aquela região era parte do Império Khmer, que construiu em Angkor dezenas de hospitais e escolas (quer dizer, o equivalente a isso naquela época), se estendendo por quase 1.000 km². A população chegou a ter 1 milhão de pessoas, fazendo de Angkor a mais povoada cidade da antiguidade e a maior cidade pré-industrial da humanidade. Para ter uma ideia, a segunda maior era Tikal, a cidade Maia, que não tinha mais de 150 km².

O que vemos hoje são apenas os templos, construídos com pedras para perdurar como os deuses. As demais construções da cidade, feitos de madeira e outros materiais mais frágeis, pereceram como os mortais.

Angkor Wat - Ponte com estatuas Khmer a caminho dos templos

Ponte com estatuas Khmer a caminho dos templos

É incrível ver como a natureza se apropriou das ruínas nesses 400 em que a antiga cidade ficou abandonada. O templo Ta Prohm foi um dos poucos deixados no estado em que foram redescobertos, e é impressionante ver a construção tomada por raízes de árvores gigantescas. Mal dá para imaginar a complexidade do trabalho de restauração.

A combinação das ruínas com a selva fez de Ta Prohm um dos cenários mais marcantes do filme Tomb Raider que foi gravado ali em 2001, embora Lara Croft passe por várias outras locações entre os templos do Camboja.

Angkor Wat - Ta Prohm ruinas do templo tomadas pela selva foram cenario do filme Tomb Raider

Ta Prohm: ruinas tomadas pela arvores

Também vale a pena visitar Angkor Thom, construído pelo sucessor de Suryvsman II, ainda no século 12. A essa altura, o budismo já começava a ser adotado naquela região da Ásia, e então o templo foi construído de forma mista, com imagens budistas e hinduístas lado a lado. Uma flexibilidade e tolerância religiosa que dificilmente seria demonstrada pelas religiões tradicionais do ocidente.

Cada metro dessa fantástica estrutura é cheio de ricos detalhes e o trabalho interminável de restauradores pode ser visto em diversas partes, como nas colunas que exibem escrituras em sânscrito, tida como a escrita mais antiga do mundo.

Angkor Wat - Rostos do imperador Khmer no templo Bayon

Torres do templo Bayon, no Camboja

Outro ponto alto do complexo de Angkor é o templo Bayon, com torres em que as imagens de Buda têm o rosto de Jayavarman VII, mais um grande imperador Khmer. Ao contrário do que isso representaria na cultura ocidental, o imperador não tinha pretensão de se comparar à divindade. Pelo que o guia local nos explicou, essa era uma maneira de expressar sua devoção e seu desejo de atingir a espiritualidade máxima.

A vista é impressionante e a construção é linda em meio ao verde. A construção está muito bem conservada e é possível passear por todos os seus cantos, admirando as esculturas nas pedras.

Angkor Wat - Rosto do imperador Khmer no templo Bayon

Imagem do imperador Khmer no templo Bayon

A visita a Angkor Wat começa cedo, entre 4 e 5 da manhã. O nascer do sol atrás do templo é uma das grandes atrações turísticas do local. Na hora em que o sol surge atrás das torres, a quantidade de turistas já se encontra na casa das centenas.

Procure chegar cedo e escolher um bom lugar para esperar o sol raiar. Se o pátio na frente do templo alagar, devido às frequentes chuvas da região, pegue lugar bem à margem do lago e prepare a câmera, pois as fotos do templo com o reflexo na água ficam lindas.

Angkor Wat - Nascer do sol em Angkor Wat no Camboja

Nascer do sol em Angkor Wat

Os mais resistentes podem começar a visita às ruínas assim que o dia amanhecer. Essa é uma boa ideia pois o templo fica menos cheio nesse horário, já que muitas companhias de turismo voltam com seus grupos para tomar café da manhã no hotel e retomam o passeio dali a algumas horas (os tickets são válidos para o dia todo e custam US$ 20).

Você também pode comprar o passe para 2 ou 3 dias. Pode parecer exagero, mas 3 dias é o tempo que se leva, em média, para visitar todo o complexo. Quem quiser ver detalhadamente, pode levar uma semana ou mais.

Angkor Wat - Dicas para viajar pelo Camboja

Entre os templos perdidos do Camboja

Para apreciar devidamente a riqueza histórica e mitológica do templo, fazer a visita com um guia local vai bem a calhar. Se você é do tipo que gosta de explorar por conta própria mas sem perder a significância do que vê, sugiro visitar o Museu Nacional de Angkor, em Siem Reap.

O museu explica tudo sobre a construção e a arquitetura dos templos, apresentando também seu contexto histórico, além de contar um pouco sobre a tradição hindu e a chegada do budismo. O ingresso é caro (US$ 12, fora o audio guide), mas as exposições são muito bem cuidadas e informativas. Caminhe calma e atentamente pelo museu, pois as diferenças culturais e religiosas tornam a compreensão de alguns dos elementos um pouco difícil.

Angkor Wat - Estatuas Khmer na estrada para os templos

Estatuas Khmer na estrada para os templos

Há ainda viagens de balão sobre o templo – não procuramos fazer, mas num dia de céu aberto deve ser um passeio inesquecível e um jeito único de se ter uma ideia mais realista da magnitude dos monumentos.

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13 Comentários

  1. It looks beautiful! I hope that I can visit Asia one day! Obrigado!

    Also, congrats on being a finalist in the BigBlogExchange! Boa sorte!

    Andy
    BackpackingDiplomacy.com

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