Colaboração de Matheus Vieira, jornalista e autor do blog De Cada Década, que passou um mês em Nova York com três amigos.

O que você quer fazer em Nova York? Essa é a primeira pergunta que um viajante deve fazer a si mesmo antes de escolher esse destino. Comprar? Na Quinta Avenida ou nos outlets de Nova Jersey? Ver peças da Broadway? Off-Broadway? Assistir “Shakespeare in the Park” ou “in the Parking Lot”? Desvendar os cartões postais de Manhattan, a badalação do Greenwich Village, as cafeterias do West Village? Ou o clima bucólico e art déco do Brooklyn? E o Bronx, alguém arrisca?

Williamsburg - A beira do Rio HudsonÉ difícil escolher por onde vai a primeira mordida na Grande Maçã. E se você é tão eclético quanto eu, vai dar vontade de fazer isso tudo e ainda persistirá uma angustiante sensação de que a viagem foi incompleta. Repare que eu ainda nem citei a Estátua da Liberdade, a Macy’s, a Century 21, o Empire State Building… sem choro! A primeira dica é: guarde a sua ansiedade e aceite Nova York como um fenômeno inacabado, caótico e belo!

Quando resolvi passar um mês de férias em Nova York, juntei todos os conselhos dos meus amigos em um grande caldeirão, misturei… e o resultado foi Williamsburg, no Brooklyn – um destino super alternativo mas com fácil acesso ao coração da cidade. A maioria das coisas legais eu acabei descobrindo por lá mesmo, pois os guias de viagem não são muito específicos quando se sai de Manhattan. Quem tem um mês inteiro, afinal, pode desvendar a vida local com um pouco mais de excentricidade.

Williamsburg - Welcome to BrooklynWilliamsburg faz parte da Zona Norte do Brooklyn e é ligado a Manhattan pela Williamsburg Bridge. É um bairro em impressionante revitalização: lofts e bares surgem a cada canto, aproveitando antigas indústrias e armazéns, que eram predominantes naquela área de divisa com o Queens. Consolidou-se como uma verdadeira alternativa para os alternativos.

Pessoas bonitas e simpáticas desfilam de patinete pelas ruas com seus shorts curtos, camisas xadrez, chapéus e óculos de aro grosso. E é fabuloso ver como essas pessoas se integram ao ambiente e formam uma interessante cena junto com os judeus, italianos e porto-riquenhos que vivem ali em Williamsburg há tanto mais tempo. É bem parecido com o que acontece no East Village, mas sem o agito e a pressa de Manhattan – sem desmerecer, por favor! Não deixe de ir ao East Village!

Williamsburg - Grafite perto da Williamsburg Bridge

Pequeno guia off-beat

O roteiro alternativo de Manhattan é, sem dúvida, muito farto. Mas existe uma gama de programas muito peculiares em Williamsburg. Se você tem tempo e vontade de conhecer Nova York um pouco mais além, anote essas dicas, pegue o trem da linha L e venha conosco:

• Bedford Avenue – É a rua mais movimentada à noite em Williamsburg. Tem vários bares (alguns com DJ tocando vinil!) e restaurantes de comida indiana, pizza, sorvete e tudo da mais típica culinária novaiorquina. Tem uma estação da linha L bem por ali.

• Union Pool – Todo ano penso que seria o máximo comemorar meu aniversário lá com todos os meus amigos. Tem um pub na parte da frente, com DJ tocando a coisa mais hipster que você jamais ouviu na vida. Numa área a céu aberto, dá para bater papo e ouvir a música de leve, além de aproveitar a carrocinha de tacos que fica ali. Para completar, tem um terceiro ambiente que é uma pista de dança super animada, mas só abre nos fins de semana. Na noite em que estive lá, a gente se acabou com os clássicos da Motown tocados em vinil.
.Williamsburg - Union Pool

• Alligator Lounge – É bem pertinho do Union Pool, na Metropolitan Avenue, a rua principal de Williamsburg. É um pub super animado e que tem karaokê nos fundos. A cada cerveja comprada, você ganha um vale pizza. Mas é só de muçarela… Os toppings custam US$ 1.

• Bagelsmith – Essa bagelshop 24 horas fica na Metropolitan Avenue, bem do lado do Alligator. Tem o bagel mais gostoso de Nova York. Recomendo o de geléia com manteiga acompanhado de um Snapples de laranja. É tão gostoso, tão farto e tão baratinho: o bagel custa menos de U$ 2. Tem saladas, sanduíches e outras coisas deliciosas. O mais legal é que fica de frente para a estação Lorimer St., da linha L. Se você está voltando da noitada, seja em Williamsburg, seja em Manhattan, é uma ótima pedida para curar a ressaca.
.Williamsburg - Pete Candy Store show da banda The Flanks

• Pete’s Candy Store – É uma pequena casa de show que funciona como uma espécie de celeiro para os músicos de Williamsburg. Tem um bar na frente, e o espaço de apresentações parece um vagão de trem, de tão estreitinho e comprido que é. As pessoas assistem aos shows bem espremidas, mas ninguém reclama. É muito acolhedor, e o som, predominantemente indie, é super relaxante. Nos fundos tem área externa para fumantes.

• Artists and Fleas – A feira é uma das mais famosas do Brooklyn. Vende artesanato, comida, artigos de moda e decoração vintage. Funciona num antigo armazém, e todo o arredor é bastante charmoso. Vale o passeio, por mais que não se compre nada. Os produtos são caros, mas dá para levar um acessório ou uma peça de roupa por U$ 20 para fazer constar a visita.
.Williamsburg - Artists and Fleas

Nada de desculpas

“Ah, mas o Brooklyn é longe, vou pagar uma fortuna de táxi quando ficar numa noitada em Manhattan”. Ok, se você é pessimista assim, eu vou refutar cada um dos pontos negativos:

• Tem metrô – Três importantes linhas do metrô vindas dos principais pontos de Manhattan passam por Williamsburg: M, F e L. Devem ter outras, mas acredite, essas são mais do que suficientes. Inclusive, a L funciona 24 horas. Você vai e volta de Williamsburg de metrô a qualquer momento, sem baldeação.

• É pertinho – Basta dar uma olhada no mapa de Nova York para reparar que Williamsburg é muito colado em Manhattan. De metrô, dá para chegar do outro lado em 10 minutos. Quase tive o ímpeto de andar de um distrito ao outro cruzando a ponte a pé. Não precisa fazer isso, tá?

• É seguro – Não posso me responsabilizar se alguma coisa ruim acontecer a você, pois é uma cidade grande e “coisas” acontecem. Mas posso dizer que andei de cima a baixo por Williamsburg inclusive de madrugada e nada de mal me aconteceu. Tem umas partes mais ermas (mais feias, diria) embaixo da elevação do metrô. Tranquilo de andar.

• Nada para fazer no Brooklyn? WHAT?! – Olha, eu li em algum guia que a cerveja mais barata de Nova York está em Williamsburg. Não fiz pesquisa de preços nem nada, mas sei que paguei barato para beber lá. Durante a noitada na Union Pool, bebi umas cinco latinhas de PBR, comi dois tacos e, no fim, não gastei nem U$ 20.

???????????????????????????????Existem boas ofertas de aluguel de quartos ou apartamento em Williamsburg em sites reconhecidos, como o AirBnb ou o Localnomad. Mas, se ainda assim você preferir se hospedar em Manhattan, tente dedicar um dia inteiro ao bairro hipster do outro lado da ponte. Se você conseguir dedicar um pedaço da sua viagem a alguns esses programas, acredito que terei feito jus a tudo que aprendi de Billyburg.

E não se esqueça do beabá de Nova York: boates fecham às 4h da manhã, não é permitido beber na rua e bilhetes semanais/mensais do metrô valem a pena. And you must tip. Always.
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Leia mais sobre Nova York:
• Um dia (ou mais) no Central Park
• Os grandes museus novaiorquinos.

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24 Comentários

  1. Oi Fernanda, me ajuda!! tô organizando passar um dia em Williamsburg, e tem um dia que tem uma feirinha de rua, com varias coisa, artistas comidinhas etc. É no sábado ou no Domingo…?

  2. Oi, Lisi! Valeu pela visita no blog e pelo comentário! Acho que essa feira de que você está falando é a Smorgasburg. Você pode ver mais sobre ela nesse outro post aqui: http://wp.me/p1NmyZ-Pi
    Em Williamsburg, a feira acontece no sábado. Aos domingos, é no Brooklyn Bridge Park (DUMBO). Um amigo meu acabou de voltar de lá e disse que a feira está muito boa! Aproveita! = )

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