Bangkok: por onde começar?

Bangkok foi a nossa primeira parada na Ásia. Eu estava empolgadíssima, mas ao mesmo tempo tinha um certo medinho por não saber ao certo o que ia encontrar pela frente. No voo da Thai Airways a gente já começou a entrar no clima da viagem. A companhia aérea incorpora algumas das características típicas do país em seu serviço: as aeromoças vestem um uniforme feito de seda tailandesa e o lanche servido no nosso voo foi um salgado de frango bem apimentado, à moda da culinária local!

Saindo do aeroporto, logo deu para perceber a agitação da cidade – e o trânsito caótico pareceu ainda mais perigoso graças ao motorista desvairado do taxi que pegamos. Eu nem sequer sabia que a Tailândia usava mão inglesa!

Assim como em Marrakesh, é bom andar com trocados. Em Bangkok, as notas pequenas são muito úteis para os gastos na rua, pois há camelôs por todos os lados. A barganha é prática comum e muitos produtos são de baixo valor, então vale a pena trocar as notas grandes logo que fizer o câmbio e guardar as moedas que receber por aí.

Os turistas ocidentais na Ásia são facilmente identificados, assim como os gringos europeus aqui no Brasil. Todo mundo que te olha sabe que você é estrangeiro. Então não é difícil imaginar que nos tornamos um alvo fácil para golpes…

Logo no nosso primeiro passeio, um rapaz muito simpático se aproximou para contar que era feriado nacional e, por isso, algumas atrações estariam oferecendo entrada gratuita. Então ele sugeriu que pegássemos um tuk tuk para visitar esses lugares. O pulo do gato é que, uma vez que você entra no tuk tuk, o cara só te leva para fazer compras! Atração turística que é bom, nada.

As lojas dão comissão para os tuk tuks que levam clientes, então eles estão dispostos a fazer qualquer armadilha para o turista topar. As abordagens são frequentes, chega a ser cansativo. Alguns argumentam, inclusive, que os templos e o Grand Palace estão fechados, apenas para te convencer a fazer o passeio deles. Como já tínhamos lido a respeito, não caímos no papo furado.

Eu sei que o idioma é muito diferente e que a dificuldade de ler placas e mapas é grande, mas se você vai para Bangkok tente se informar, ler guias de viagem e estudar o roteiro antes de sair pela cidade à deriva. E não se sinta mal de ignorar solenemente qualquer oferta desse tipo. É melhor não dizer nem sequer um “no, thanks” do que entrar na conversa deles.

Também não acredite em papo sobre tuk tuks subsidiados pelo governo, nem sobre fábricas estatais que vendem seda da melhor qualidade a preços baixos. É tudo isca para turistas. Em outras cidades do Sudeste Asiático você terá chance de experimentar um passeio de tuk tuk com mais calma.

Depois de driblar uma dúzia de carinhas desses, enfim chegamos ao Wat Pho, o primeiro lugar que visitamos, o mais antigo dos quase 400 templos ao redor de Bangkok. Ali, distribuídas por diversas construções pequenas, entre salas e altares, estão mais de mil imagens de Buda. A principal é o gigantesco Buda Reclinado, todo folheado a ouro.

Com 43 metros de comprimento, a estátua do Buda Reclinado é maior que o Cristo Redentor, do Rio. A sola dos pés do Buda é toda ornamentada com 108 símbolos talhados em madrepérola. Dizem que 108 é um número considerado abençoado na Tailândia… E isso explica também a fileira com 108 potinhos de metal neste mesmo templo, para que os devotos façam suas oferendas: uma moeda em cada potinho.

Vale lembrar que, apesar de ser um ponto turístico, é preciso respeitar algumas regras de conduta e vestuário, como em todos os templos budistas. A entrada só é permitida com roupas adequadas: saias compridas ou calças largas e blusas com manga e sem decote. Os sapatos devem ser deixados do lado de fora, então é bom usar sandálias ou outros calçados fáceis de tirar e por de volta.

A reverência ao Buda (com a cabeça baixa e as palmas das mãos juntas em frente ao corpo) deve ser feita três vezes: a primeira para pedir proteção, a segunda para se purificar e a terceira pela comunidade budista. E lembre-se que, ao ajoelhar ou se sentar nos templos, não se pode jamais deixar a sola dos pés virada na direção da imagem de Buda. Aliás, os asiáticos em geral acham desrespeitoso deixar a sola dos pés à mostra – então nada de ficar de pernas para o ar como estamos acostumados nas praias brasileiras.

Saindo do Wat Pho, cruzamos um pequeno mercado popular e chegamos à beira do rio Chao Phraya, de onde pegamos uma barca (pelo simbólico preço de 3 baht) para visitar o Wat Arun, que fica na outra margem. Os preços dos ingressos são bem em conta: a entrada para o primeiro templo foi 100 baht (menos de 4 dólares) e para o segundo apenas 50 baht.

O Wat Arun é bem interessante, com uma pagoda (torre típica dos templos asiáticos) feita de pedras, coberta por uma espécie de mosaico. A escadaria até o topo vai ficando cada vez mais íngreme e estreita, até chegar aos seus 70 metros de altura. Como vocês sabem, eu gosto de ver as cidades do alto para curtir a vista e entender melhor a geografia e a arquitetura de cada lugar. Os jardins em volta do Wat Arun também são lindos.

No final do dia ainda tivemos contato com mais uma peculiaridade do país: as casas de espíritos. Os tailandeses têm o costume de construir casinhas em miniatura ao lado de suas residências e comércio, para abrigar os espíritos e oferecer proteção. A tradição é tão presente que pode ser vista desde em casas humildes do interior até em prédios grandes da capital. Quanto mais agourenta for a propriedade, mais suntuoso deve ser o santuário.

Uma das maiores e mais famosas “spirit houses” é a Erawan Shrine, anexa ao Hotel Grand Hyatt Erawan (perto da estação de skytrain Chitlom Station, de onde se tem vista para o pequeno santuário). A construção do hotel, na década de 1950, foi muito atribulada (com direito a acidentes com os operários e até naufrágio de um navio carregado de mármore italiano que seria usado na obra). Para completar, aquele terreno um dia foi palco de punição de criminosos, então era mesmo necessária a construção de uma casa de espíritos bem caprichada para neutralizar o mau karma do lugar.

A Erawan Shrine é um santuário hindu, em homenagem a Phra Phrom (que é a representação tailandesa de Brahma, deus da criação). O lugar estava cheio de turistas e devotos fazendo oferendas com incenso e flores, e ao lado tinha uma apresentação da dança ritual apsara.

Só mandamos mal de ir de taxi na hora do rush, pois o trânsito estava péssimo e nosso hotel ficava do outro lado da cidade, perto da Khaosan Road. Quando enfim chegamos de volta, estávamos exaustos. Nosso primeiro dia na Tailândia foi agitadíssimo, cheio de emoções!

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14 comentários

  1. Os tuk tuks são como taxis. O segredo é dizer exatamente para onde quer ir e deixar claro que é para ir direto para lá, “no stop”. Parte do golpe é eles dizerem a você que precisam “parar para pegar um cupom de gasolina”. Apenas diga “Não, vamos direto para XYZ, sem paradas”, de forma educada e clara. Não tivemos problemas dessa forma.

    Os preços são acordados antes da corrida, então se ele levar a algum lugar que você não quer ir, repita de novo: “Direto para XYZ, no stop”.

    O povo da Tailândia em geral é muito sorridente e educado. Mesmo a barganha deve ser feita em tom leve e nunca agressivo.
    Ótima viagem!

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