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Na saída da Ponte Carlos, a rua Nerudova é um dos caminhos que leva ao Castelo de Praga. Uma rua pitoresca e encantadora, onde lendas e histórias se misturam. No passado, fazia parte do Caminho Real, por onde os reis passavam no dia de sua coroação.

Andar por ali é como fazer uma viagem no tempo – em nenhum outro bairro de Praga a arquitetura do antigo Reino da Boêmia se encontra tão bem preservada como em Malá Strana. As casinhas típicas são lindas, de todas as cores, com desenhos ornando as fachadas.

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A rua ganhou seu nome em homenagem a Jan Neruda, um escritor tcheco que morava ali no fim de 1800 e que registrou em contos a vida burguesa da Malá Strana. Foi esse cara que inspirou um certo jovem chileno a adotar o pseudônimo com que se tornaria um dos maiores poetas do século seguinte, Pablo Neruda 😉

Cada casa tem um símbolo

A brincadeira para quem passa pela rua Nerudova é reparar nos símbolos que ficam sobre as portas das casas. Eles são resquício do período medieval, quando os desenhos eram usados para identificar os endereços e facilitar a orientação. E foi assim por 400 anos até que, em 1770, o sistema de numeração dos endereços foi introduzido em Praga.

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Jan Neruda, por exemplo, morava na Casa dos Dois Sóis, que hoje tem o número 47, e depois se mudou para a Casa das Três Águias Negras, atualmente nº 41. Se você reparar com atenção, vai encontrar outras casas assim em outras partes da cidade, mas nada se compara com a coletânea que se vê nessa rua histórica.

Em muitos casos, os desenhos contavam um pouco sobre a família que morava ali – como a Casa do Cálice de Ouro (nº 16), onde vivia um ourives, ou a Casa da Chave Dourada (nº 27), onde vivia um chaveiro. O engraçado é ficar imaginando o motivo para alguém ter escolhido o símbolo da Lagosta Verde (nº 43) ou a Medusa, cheia de cobras douradas na cabeça (nº 14).

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Hoje, boa parte dessas casas foi transformada em pequenas lojas, galerias e restaurantes. Vale a pena entrar nem que seja só para dar uma espiadinha nas casas por dentro. Nós tomamos um café no U Zeleného Čaje (nº 19), um bistrô super simpático, mas que não tinha nenhum símbolo alegórico na porta…

Lendas da rua Nerudova

Numa rua onde as casas têm mais de 700 anos de história, era de se esperar que acabassem surgindo lendas a respeito dos desenhos que se vêem ali. O primeiro a causar espanto fica no número 4 – quem colocaria a imagem do diabo na entrada de casa?! Mas não há motivo para sustos: naquela época, Lúcifer era visto como um personagem folclórico, não tinha a “má reputação” que tem hoje… rs

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Mais adiante, a Casa da Ferradura Dourada (nº 34), que tem um símbolo aparentemente inocente, ganhou uma fábula mais assustadora. Segundo a lenda, nas noites de sexta-feira um cavaleiro sem cabeça rebenta edifício adentro, suplicando para que libertem sua alma 😕

Essa só não é mais bizarra que a história da Casa das Três Águias Negras (nº 41), onde Jan Neruda morou por um tempo. O lugar teria sido habitado por uma velha avarenta que não queria deixar ninguém herdar sua propriedade, e que então tentou tocar fogo na casa antes de morrer, mas não conseguiu destruí-la. Dizem que até hoje se escuta a velha rondando pela casa à noite, com suas chaves tilintando, para tomar conta do que é dela. Eu não consegui encontrar as tais águias negras… E definitivamente não fiquei por lá pra procurar a velha! rs

De todas, tem uma que não dá tanto medo de ir ver se é verdade… A Casa dos Três Violinos (nº 12), que tem dos símbolos alegóricos mais bonitos da Nerudova, pertencia a uma família de luthiers e hoje dá lugar a um restaurante. Reza a lenda que nas noites de lua cheia é possível escutar misteriosos sons de violinos sem saber de onde vêm… Tem coragem de fazer uma reserva para o jantar? 😉

Os burgueses da Malá Strana

Alguns endereços da Nerudova são verdadeiros palacetes, que dispensam os desenhos tradicionais na fachada – como o Thun-Hohenstein Palace (nº 20), que tem duas águias gigantes abrindo suas asas sobre o portal principal.

Não foi por acaso que Jan Neruda tem nos Contos da Malá Strana sua obra mais importante… A vida da pequena burguesia que vivia ali devia dar o que falar! No número 33, o Bretfeld Palace tinha as festas mais concorridas da high society do século 18, frequentadas inclusive por um rapaz austríaco chamado Wolfgang Amadeus Mozart, já ouviu falar?

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O Morzin Palace (nº 5) também não fica para trás: o Conde dono desse palacete era amigo de Antonio Vivaldi e também promovia eventos frequentado por artistas, aristocratas, generais, políticos e todo tipo de personalidades da alta sociedade época.

Outras paradas curiosas na Nerudova são a Casa do Leão Dourado (nº 32) onde funciona o Museu do Boticário, dedicado à tradição farmacêutica e perfumística (é assim que se fala?) da Boêmia, e a Casa do Leão Vermelho (nº 41), onde morava um pintor muito prestigiado à época, Petr Brandl, que tem algumas pinturas na Igreja de São Tiago (St. James), perto da Old Town Square.

Quando passar por lá, tente encontrar também: o Cisne Branco, a Águia Dourada e o Carneiro Vermelho. Desses eu não vou dizer o número… A graça é procurar! 😉

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3 Comentários

  1. Olá, Que legal seu blog!

    Eu morei em Praga por quase três anos, e pude viver na pele a atmosfera mística e alquímica deste lugar. A rua Nerudova é uma… Coisa linda de viver.

    Abraços,
    Gisele

    • Adorei receber seu comentário, Gisele! Praga tem mesmo uma atmosfera única, sou completamente apaixonada ♥ E quantas lendas fascinantes!
      Beijos

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