Para começar, o Museu Casa de Rembrant não é uma casa qualquer. Um dos maiores pintores da história, e certamente o mais renomado da história da arte holandesa, Rembrandt viveu e produziu grande parte de suas obras aqui, de 1639 a 1658.

Localizado perto de grandes pontos turísticos, como o Museu Hermitage, a feira de pulgas Waterlooplein (não perca para mimos baratinhos) e o afamado Distrito da Luz Vermelha, o museu Casa de Rembrandt merece disputar um tempinho no roteiro de quem viaja para Amsterdam. Descubra por quê:

Amsterdam - Museu Casa de Rembrandt - fachada do predio

1. O Século de Ouro dos Países Baixos

O período que abrange o século 17 não foi pouca coisa. Nessa época a navegação, o comércio e a ciência estavam a todo o vapor na capital holandesa, reconhecida então como potência mundial. Foi durante o Século do Ouro, também, que Rembrandt viveu e produziu suas obras-primas. Sua casa não foi apenas o lugar que ele chamou de lar, mas um exemplo de como a high society vivia em tempos tão prósperos.

2. Como era uma cozinha no século 17?

A resposta está aqui. Você pode ver (e tocar!) nos pratos, nos armários, na bancada…enfim, em todos os atributos curiosos desse ambiente único da vida doméstica. Grandes pratos de metal, fundas panelas de cobre, tradicionais castiçais dos tempos em que não se tinha luz elétrica. Foi aqui que Rembrandt passou grande parte do seu tempo, batendo papo com familiares e degustando os pratos (terrivelmente sem gosto, para o paladar moderno) de sua cozinheira.

Amsterdam - Museu Casa de Rembrandt - cozinha

3. Impressionante ver como ser humano mudou

É por aqui que entra um anão, uma criança? Hmmm. Na verdade não. Naquela época, a porta tinha dimensões completamente diferentes: por conta de uma dieta pobre em nutrientes e outros fatores biológicos, as pessoas eram baixinhas. Por isso o que pode parecer uma entrada para crianças, ou até mesmo para um anão, era medida normal para a época. Ver com os seus próprios olhos como as proporções humanas mudaram drasticamente de 400 anos para cá é chocante.

4. Como as pessoas dormiam antigamente?

Talvez você fique surpreso em saber que as pessoas dormiam de uma forma meio diferente da qual estamos acostumados hoje (e possivelmente bem mais desconfortável). Com medo de deixar o sangue subir pela cabeça (literalmente), naquela época se dormia sentado. Havia camas, sim, mas elas eram ao menos 50 centímentros mais curtas do que as camas convencionais. Isso porque precisavam abrigar apenas as pernas, enquanto o corpo ficava encostado contra a parede.

Outra curiosidade? Elas eram mantidas em armários. Ou seja: tinham medo de o sangue subir pela cabeça, mas era ok morrer sufocado? Vai entender! Então, cuidado: você pode abrir uma porta achando que é só um guarda louças quando…ops. É a cama da cozinheira.

Amsterdam - Museu Casa de Rembrandt - quarto

5. Onde pintou e desenhou um dos grandes mestres da história da arte?

O estúdio de Rembrandt está lá, praticamente como era há quase 400 anos, para ser apreciado por nós. Pequenos objetos de sua coleção decoram o cômodo: pinceis, pequenas esculturas e outras coisinhas ficam penduradas nas paredes. Todos os dias, também, demonstrações de como o pintor produzia suas tintas (as em tubo começaram a ser vendidas apenas no século 19) são lecionadas por especialistas dentro do próprio estúdio. Estar no mesmo local onde Rembrandt passou horas, dias, meses pintado quadros inesquecíveis e que entraram para a história: não é pouca coisa.

6. Como se faziam gravuras

Não é todo dia que você tem a oportunidade de ver uma impressora (100% manual) de gravuras. Se hoje Rembrandt é famoso por seus quadros que demonstram a beleza honesta do passar da idade, no século 17 as pessoas o conheciam por suas gravuras da vida doméstica e de paisagens, por exemplo. Fáceis de serem transportadas e reproduzidas dezenas de vezes, as gravuras de Rembrandt passaram por diversos países da Europa na mão de negociantes de obras arte e comerciantes. Aqui também são dadas demonstrações de 20 minutos sobre o processo de impressão dessas gravuras. Gratuitas e extremamente interessantes, as demonstrações são imperdíveis.

Amsterdam - Museu Casa de Rembrandt - atelie

7. A personalidade de um artista tão importante

Será que a sua personalidade, criatividade e gosto influenciaram na decoração do ambiente? Ao visitar o quarto de Rembrandt, você vê que sim. E como não se emocionar ao ver a cama onde ele dormiu todas as noites, por duas décadas? Onde provavelmente sonhou com cenas que influenciaram suas pinturas e passou horas a fio pensando no que pintaria em seguida. A sua imaginação rola solta ao ver outro cômodo em que Rembrandt passou grande parte do seu tempo.

8. Uma coleção extremamente curiosa

Com certeza um dos pontos mais altos da visita, a coleção de objetos exóticos mantida por Rembrandt é simplesmente inacreditável. Se você gosta de objetos diferentes, tem vocação para colecionador ou simplesmente adora antiquarios, você vai amar o quarto em que o pintor guardava sua rara e caríssima coleção. Penas indíginas, conchas de praias distantes, cascos de tartarugas, estátuas gregas…tudo isso exibido de uma forma íntima e única.

Amsterdam - Museu Casa de Rembrandt - dicas de viagem no blog Vontade de Viajar

9. Como eram as casas dos ricos holandeses

O piso quadriculado preto e branco comum na Holanda e nos quadros pintados por holandeses (adorado especialmente por Vermeer, outro mestre da história da arte holandesa) é visto aqui também. O piso é de verdade, original da época de Rembrandt, mas na realidade é apenas uma colagem feita sobre madeira para imitar o efeito do mármore. Naquele tempo, além de raro, mármore era coisa de gente riquíssima, e nem mesmo Rembrandt – um gastador de primeira – investiu seus florins (nome da moeda holandesa à época) no material vulcânico.

10. Mil faces da história de Amsterdam

Agora, falando sério? A casa da Anne Frank é demais, um lugar emocionante e excepcionalmente histórico, ao qual recomendo a visita. O Museu Van Gogh é dotado de um acervo belo e tocante, que mostra a trajetória do artista como em nenhuma exposição fora da Holanda. Mas é no Museu Casa de Rembrandt em que tudo é encontrado em um só lugar: história, mobília original, quartos restaurados, gravuras expostas. Quem passa por aquelas bandas em Amsterdam não pode perder.

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