O Palácio Barolo, em Buenos Aires, é um dos grandes destaques de Avenida de Mayo. O desenho do prédio foi todo inspirado em um dos maiores clássicos da literatura mundial: a Divina Comédia.

O empresário Luigi Barolo encomendou a construção ao arquiteto Mario Palanti, em 1918. Os dois imigrantes italianos eram fascinados por Dante Alighieri. De longe, já é possível ver a divisão do edifício em três partes, assim como o livro – o térreo é o inferno, os 14 andares intermediários são o purgatório e a parte mais estreita representa o paraíso. No alto da torre, há um farol que, ainda na analogia, seria Deus.

As alusões continuam: o prédio tem exatamente 100 metros de altura, o mesmo número de cantos da Divina Comédia, e um total de 22 pisos (cada um contendo 22 escritórios), igual ao número de estrofes dos versos da obra.

Não satisfeitos, quando a construção ficou pronta, em 1923, Mario e Luigi (hihihi) fizeram questão de inaugurar o prédio no dia 7 de junho, aniversário de Dante. A obsessão era tanta que, segundo dizem, Barolo sonhava em levar as cinzas do poeta para Buenos Aires e colocá-las em uma cripta no hall central edifício – mas isso jamais aconteceu e os restos mortais de Dante estão direitinho lá em Ravena, na Itália.

Detalhe do inferno no hall do Palacio.

As gárgulas dão o tom do inferno no hall do Palácio.

O térreo tem arcadas decoradas por gárgulas e citações em latim – algumas da Bíblia, outras de Virgílio (poeta romano, autor de Eneida). No meio do hall, uma pequena estátua de um condor, representando a ascensão de Dante ao paraíso.

Há quem diga também que o Palácio foi construído no décimo-terceiro quarteirão da Avenida de Mayo para coincidir com a data em que o livro foi escrito, no início dos anos 1300, mas aí acho que já forçaram a barra (o endereço é nº 1370 e estima-se que a Divina Comédia tenha começado a ser escrita em 1307).

Vista do Palácio (via)

Vista do Palácio (via)

Não tivemos tempo de fazer a visita guiada para conhecer as outras partes do prédio (está na minha lista para quando voltar a Buenos Aires!), mas sei que os guias percorrem o 4º e o 20º pisos contando histórias do início do século, e depois levam à torre do farol. Lá de cima, uma belíssima vista em 360° da cidade revela a Praça do Congresso, com suas árvores e chafarizes em meio à infinidade de prédios do centro portenho.

Considerado o primeiro arranha-céu da América do Sul, o Palácio Barolo foi o prédio mais alto da Argentina até 1936, quando o edifício Kavanagh foi erguido perto da Plaza San Martín. Quem já visitou Montevidéu também pode reparar a semelhança: o arquiteto Mario Palanti também assina o Palácio Salvo na Praça da Independência 🙂

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