Desde que conheci a Quinta da Regaleira, em Sintra, descobri um novo esporte de viagem: visitar casas de alquimistas. Cheias de elementos simbólicos, elas misturam ciência e espiritualidade com uma arquitetura eclética – e o resultado é intrigante.

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O Castillo Pittamiglio é um pequeno castelo em Montevidéu que, apesar de sua fachada estreita, chama a atenção na Rambla com sua torre vermelha e uma réplica da Vitória de Samotrácia (escultura grega que é uma das mais importantes obras em exibição no Museu do Louvre em Paris).

Fazer a visita guiada é a única forma de conhecer o Castillo Pittamiglio por dentro. Para dizer a verdade, nem teria graça de outra forma, pois as explicações são essenciais para aproveitar o passeio e decifrar o que está diante dos nossos olhos.

A guia – que também é uma entusiasta da alquimia – conta um pouco sobre a vida do alquimista Humberto Pittamiglio, que morava ali, e nos ajuda a observar os detalhes e a entender o significado de cada elemento da natureza e da geometria que aparecem em cada canto.

Mais do que a atividade de manipular metais para transformá-los em ouro, a alquimia se dedica à conexão da energia do mundo terreno com o mundo transcendental. É sem dúvida uma coisa mística, mas que se vale da química, da astrologia, da botânica e outras ciências.

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Nada na construção parece ser por acaso: a escolha dos materiais, o padrão do piso, o formato dos cômodos, os desenhos talhados na lareira… Tudo foi feito para favorecer a circulação de energia e para representar a trajetória de evolução espiritual.

Alguns símbolos são recorrentes e, ao longo da visita, a gente já consegue reconhecer o que eles significam. Os desenhos derivados do número 4 (como losangos, cruz e flores de quatro pétalas, por exemplo) representam o que é terreno. O número 8 representa o movimento e a transição, a busca pela elevação. E os elementos redondos representam o que é etéreo, a perfeição e o ciclo da vida.

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E assim você percebe que, no chão do pátio interno, o desenho dos azulejos alterna flores de 4 pétalas com desenhos de cruz. Lado a lado, essas formas simples compõem octógonos, formando um padrão chamado “flor da vida”.

Um dos cômodos mais curiosos é a torre, que tem formato circular e teto aberto para o céu. Ali eram realizadas cerimônias maçônicas, por ser um espaço onde a energia flui de um jeito especial. Se quiser fazer uma experiência, fique em pé em cima da estrela solar desenhada no chão e fale alguma coisa em voz alta para ver como o som vibra de um jeito diferente ali no centro da torre.

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No solstício de verão, a luz do sol projeta a letra Tau, um dos primeiros símbolos de cruz, que representa a união entre o divino e o terreno. De fato, nada foi feito por acaso nesse castelo.

Ainda estou longe de entender essa arte a que os alquimistas se dedicam… Mas lugares como esse me parecem o mais próximo que se tem, no mundo real, de um cenário de conto de fadas: passagens secretas, personagens místicos, decoração ora romântica e ora extravagante. É um universo intrigante e encantador!

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A visita guiada custa 130 pesos e acontece de terça a domingo às 17h, com duração de 50 minutos. O site do Castillo Pittamiglio não está atualizado, o melhor jeito de confirmar os horários ou fazer reserva é pelo Facebook oficial.

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10 Comentários

  1. Já fui duas vezes a Montevidéu e nunca nem sequer tinha ouvido falar desse Castelo. Vou ter que fazer esse imenso sacrifício de visitar mais uma vez essa cidade!! hahahaha… 🙂

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