O “Museu do Crime Organizado e Execução da Lei”, que abriu em fevereiro em Las Vegas, é uma dessas atrações que, mesmo meio sórdidas, despertam a curiosidade da gente. O Mob Museum, como é chamado, apresenta os grandes mafiosos e os delitos que marcaram a história americana, assim como os agentes da lei que se tornaram personagens famosos na luta contra o crime. No acervo estão armas, objetos pessoais de célebres mafiosos e evidências recolhidas durante investigações policiais.

Al Capone no hall dos grandes “mobsters” americanos, em Las Vegas

A exposição tem algumas atrações interativas e pareceu super interessante a parte que analisa como a máfia foi representada culturalmente. Confesso que sempre que penso em Al Capone, lembro da cara do Robert De Niro em “Os Intocáveis”. O gângster Frank “Lefty” Rosenthal é outro exemplo – ele foi inspiração pro “Cassino”, do Scorsese.

Para completar a viagem, vale ir até a Califórnia e visitar a ilha de Alcatraz, em São Francisco, onde a penitenciária segurança máxima funcionou de 1934 até 1963. Quase três décadas sem registro de fugas renderam a fama de “inescapável” – o filme “Fuga de Alcatraz“, com Clint Eastwood, conta sobre a única tentativa supostamente bem-sucedida (não há provas de que o fugitivo tenha de fato sobrevivido até chegar à costa). Desde a década de 70 está aberta ao público, com ingressos a cerca de US$ 30. Dizem que o passeio noturno pelo rochedo é o mais interessante (e o que dá mais medo).

A “inescapável” Alcatraz: Al Capone passou 4 anos e meio preso na ilha

Muitas outras cidades incorporam a história dos crimes em seus roteiros turísticos. Em Londres, os tours sobre Jack, o Estripador fazem o maior sucesso. Esse tour aqui da New London, por exemplo, promete mostrar também o “lado obscuro da Londres vitoriana”, marcas de grandes pragas e como eram as execuções públicas. Já na Escócia, a antiga prisão de Stirling passou a ter a encenações teatrais quase cômicas para representar a rotina e a rigidez da época de sua criação, em 1847.

Enquanto isso, no Canadá, o presídio Carleton County Gaol (Jail) de Ottawa foi transformado em um albergue (!!!) da rede Hostelling International. Construído em 1862, ele serviu durante mais de um século à cidade que já foi considerada a mais perigosa da América do Norte. Agora o prédio está reformado, redecorado e recebe viajantes do mundo todo. Mesmo assim, tenho a impressão de que deve ser um pouquinho esquisito passar a noite lá.

A prisão canadense que virou albergue

Em tempo: o Mob Museum fica no número 300 da Stewart Avenue, em Las Vegas. Os ingressos custam US$ 18.

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13 Comentários

  1. Gabriela disse:

    Essa linha do lado negro da humanidade tem outras preciosidades… Washington DC talvez seja a campeã, com os monumentos de guerras, como a do Vietnã e da Coreia, o cemitério de Arlington, incluindo os Kennedy e os tripulantes da Challenger, e o museu do Holocausto, onde a gente recebe um passaporte na entrada e passa a “ser” aquele judeu, acompanhando passo a passo o que aconteceu com ele. E olha que eu estive lá antes do 11 de setembro…

    Certamente esses não são o tipo de passeio que vêm primeiro à cabeça quando a gente pensa em férias, mas, como lembra a citação de George Santayana, em Auschwitz, “aqueles que esquecem o passado estão condenados a repeti-lo”.

  2. Marcos disse:

    Muito legal o albergue prisão!!!

  3. Ivan disse:

    Não sei se ia querer dormir numa prisão… mesmo que ela já seja um albergue

  4. Para quem curte histórias de crimes, a galeria online do NYC Department of Records é um prato cheio: há centenas de imagens capturadas pelos detetives do Departamento de Polícia de Nova York, muitas de casos não resolvidos […]

  5. Esse post foi listado entre os melhores de 2012. Descubra quais foram as outras grandes viagens do blog clicando aqui.

  6. […] Gostou da ideia de visitar Alcatraz? Leia também o post “San Francisco cultural e cativante”, com outras dicas de passeio na cidade. […]

  7. Nanda disse:

    Parece que o albergue do Canadá não é o único… Em Estocolmo também tem um prédio que funcionou como um centro de detenção por mais de 200 anos e hoje é um hotel. Os quartos são pequenos mas parecem bonitinhos. http://langholmen.com/en/

  8. Iara disse:

    Quando viajei para Montevidéu, fui ver como era o shopping Punta Carretas, que já tinha sido uma prisão um dia. Mas não lembra em nada a prisão… Só aproveitei pra comprar vinho e alfajor no mercado que tem lá dentro.

  9. Gabriel Nunes disse:

    Destino talvez pouco procurado entre os que gostam apenas dos clichês, porém aguçou minha curiosidade… Entrou para a lista de lugares imperdíveis!

  10. […] Um jeito diferente de conhecer o centro de Londres é fazer um passeio guiado escutando histórias de terror e lendas do período vitoriano, como o bizarro caso do Jack, o Estripador. Parece estranho mas é bem interessante e há várias opções de empresas que fazem tours temáticos (inclusive, Londres não é a única cidade a incorporar histórias de crimes em seus roteiros turísticos). […]

  11. Simone disse:

    Não é o meu tipo de turismo, mas adorei o post. Parabéns! E, a Gabriela brilhou c/ a citação. Neste contexto, Berlim é quase insuperável. Abraços!!

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