Estabelecer relações entre a filosofia e as situações da vida cotidiana é a marca registrada do escritor Alain de Botton, e isso fica bem claro para quem lê A arte de viajar. Entre narrativas das aventuras de Baudelaire, Humboldt, Van Gogh e outras grandes personalidades históricas, o criador da School of Life conta suas próprias experiências de viagem e tenta compreender as motivações que nos levam a sair de casa rumo ao desconhecido.

Por que, afinal, a gente sente o desejo de viajar? O livro dá 6 dicas:

Viagem: a vida fora das limitações da rotina

Viagem: a vida fora das limitações da rotina

1. A busca pela felicidade

Poucas atividades expressam tão claramente a busca pela felicidade quanto uma viagem. Não que durante uma viagem estejamos livres das sensações de ansiedade, tédio, preocupações… Mas certamente entramos em um estado de espírito que favorece boas experiências.

A partida representa em si a coragem e a expectativa. O momento da decolagem do avião traz uma sensação libertadora, como se tudo fosse possível. E, no fim das contas, esse é o sonho: tornar a nossa vida única, poética, fantástica.

Petra - Ruinas do Tesouro na Jordania

Petra, na Jordânia (veja dicas)

2. O fascínio pelo exótico

Assim que a gente chega em um lugar novo, tudo parece interessante: uma simples placa escrita no idioma desconhecido se torna uma atração turística. Nos apaixonamos pelos detalhes, pela ideia de novidade e mudança, gostamos de “encontrar camelos onde em casa havia cavalos”, como diz o livro.

Às vezes idealizamos um lugar e nem sempre a imagem idealizada condiz com a realidade, mas a própria antecipação e as expectativas têm seu papel, elas fazem com que o lugar visitado ganhe relevância para nós.

A arte de viajar - Placa na estrada entre Budapeste e Praga

Placa numa estrada da Hungria (veja dicas)

3. Descobertas enriquecedoras

Enquanto viajamos, começamos a dar sentido ao conhecimento – geografia, história, artes, ciências, línguas e tantas outras matérias que estudamos na escola ganham vida. O turismo nos ajuda a entender como a nossa sociedade evoluiu no tempo, de onde vieram nossas referências culturais, conferindo um senso de continuidade e vinculação.

4. Experiência espiritual

Apreciar a grandeza da natureza nos faz colocar nossas preocupações e relações em perspectiva, faz perceber que o universo é maior do que todos nós, seres frágeis e transitórios. Diante de cenários sublimes, tão grandiosos que chegam a intimidar, não nos sentimos pequenos, mas privilegiados. O assombro se torna admiração e aquelas paisagens nos marcam para a vida inteira, passam a ser memórias a que recorremos para nos sentirmos bem.

Deserto do Atacama - Laguna Miscanti - foto Luiz Davim

O Deserto do Atacama, no Chile (veja dicas)

5. Exercício do olhar próprio

Os guias turísticos, por definição, hierarquizam as informações e induzem o olhar. Mas para quem viaja de coração aberto, bom mesmo é o exercício de observar o mundo e encontrar os nossos próprios interesses.

Alain argumenta, com citações de Ruskin, que muitas vezes os turistas usam a fotografia não como complemento ao ato ativo e consciente de ver, mas como alternativa. Prestam menos atenção ao mundo, confiando que a fotografia seja capaz de lhes assegurar posse daquela imagem. E é por isso que os autores sugerem a prática do desenho. Ao contrário da fotografia, o desenho exige não apenas a contemplação mas também a interpretação. Quem sabe, na sua próxima viagem, você pode se juntar ao projeto They draw and travel!

Wat Phan Tao Phra Wiharn

Templo na Tailândia (veja dicas)

6. A arte de viajar e a curiosidade

O prazer que extraímos das viagens talvez dependa mais do estado de espírito de quem viaja do que do destino. Se pudéssemos aplicar o estado de espírito de quem viaja aos lugares onde vivemos, constataríamos que esses lugares não são menos interessantes. Alain de Botton nos encoraja a ter aquele olhar estrangeiro, de receptividade e curiosidade, em nossa própria casa, antes de rumar para hemisférios distantes.

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