A Argentina passa por uma situação política e econômica muito difícil e isso inevitavelmente afeta o turismo. Buenos Aires já não é o destino simples e barato que era quando visitei pela primeira vez, em 2006. Os preços subiram, os assaltos se tornaram mais frequentes (como é comum em países em crise) e o câmbio está uma loucura. A cotação oficial é de 5 pesos por dólar, mas o paralelo chega a 9 pesos – o que faz muitos viajantes desistirem de levar cartões pré-pagos (como o VTM) e simplesmente trocar dinheiro lá.

A Avenida Alvear, que um dia foi um prestigiado endereço para grifes da moda mundial, hoje tem poucas lojas estrangeiras, pois o governo argentino tornou a importação e a transferência de valores para o exterior impraticáveis. Isso certamente afasta os fãs do turismo de compras, mas quem curte programinhas culturais ainda pode aproveitar ótimos passeios em Buenos Aires e desfrutar de alguns pequenos luxos da cidade.

A Recoleta é o bairro tradicional da aristocracia portenha. Suas ruas abrigam mansões e prédios de arquitetura francesa e mármore italiano. Eu e minhas amigas vimos alguns dos quase 40 palácios que a cidade ainda preserva durante o walking tour da BA Free Tour (inspirado naqueles já famosos free walking tours da Sandeman’s na Europa).

Entre os prédios mais bonitos, estão as embaixadas da França (Calle Cerrito, 1399) e do Brasil (Carlos Pellegrini, 1363), além dos palácios comprados pelos hotéis Four Seasons (Calle Cerrito, 1455) e Hyatt (Av. Alvear, 1661).

Não muito longe dali, a Plaza Cataluña poderia passar despercebida se não fossem duas coisas curiosas: nela há uma réplica da “Font de Canaletes”, a fonte que se tornou um ícone das Ramblas de Barcelona, bem ao lado de um prédio que, embora à primeira vista pareça normal, tem metade de sua fachada pintada com janelas falsas, idênticas às janelas de verdade.

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A mansão da Nunciatura Apostólica (Av. Alvear, 1605), que um dia já foi residência presidencial, foi comprada por uma família nobre e depois doada ao Vaticano. Desde a década de 1950, lá são recebidos todos os representantes religiosos em Buenos Aires – imagino que agora, com o Papa Francisco, o lugar esteja ainda mais animado!

Completam o roteiro a residência Lloubet (Av. Alvear, 1780), onde hoje funciona uma Ralph Lauren, e o casarão da família Maguire (Av. Alvear, 1693), umas das poucas ainda habitadas como residência.

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A livraria El Ateneo (Av. Santa Fe, 1860) é outro endereço imperdível para conhecer a beleza aristocrática de Buenos Aires. Construído em 1919, o Teatro Grand Splendid foi transformado em cinema antes de se tornar a livraria que é hoje, ainda com suas galerias e cortinas de veludo originais do antigo teatro. O afresco da cúpula, pintado pelo artista italiano Nazareno Orlandi, completa essa que é uma das maiores e mais lindas livrarias do mundo.

Para esquecer que estávamos hospedadas em um simples albergue, experimentamos um pouquinho desse luxo da Recoleta num clássico chá da tarde no Hotel Alvear (Av. Alvear, 1891). Reservamos nossa mesa para um outro dia, porque o walking tour era bem no horário do chá. É um programinha perfeito e charmosíssimo para uma viagem com as amigas. Acho que se algum dos namorados estivesse lá, as porções mais francesas do que a arquitetura não teriam sido suficientes… Mas, naquela noite, esse foi nosso jantar!

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Ao invés de pedir um chá completo, pedimos as seleções de sanduíches e docinhos separadamente, numa generosa degustação. Assim, a conta saiu mais barata e comemos mais à vontade. Uma variação chique do misto quente, feita com pão de miga, e a trufa de pistache foram os meus preferidos. Além do salão L’Orangerie ser lindíssimo, o atendimento impecável fez valer a experiência de “ricas por uma noite”…

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10 Comentários

  1. A taxa de criminalidade de Buenos Aires é ainda seis ou sete vezes menor que em São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília…. Fonte Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.
    A televisão argentina que é bem mais ruim…. espalhando pânico.
    Linda matéria, adorei Buenos Aires nas fotos

  2. Obrigada, Eduardo! Valeu pela visita e pelo comentário = )
    Nós nos sentimos super seguras em Buenos Aires, mas ouvimos de outros viajantes várias histórias de roubos e furtos… é sempre bom tomar cuidado, né?

    • Eu sou suspeito porque visito Rio sempre que possivel, subimos à favelas, almoçamos no Bar do David (no morro da Babilonia) ou no bar do Joao (no morro Santa Marta) e também nos bares chiquérrimos do MAR, ou o IMS ou de casa Daros. Para os jornais brasileiros ( Folha, Zero Hora , O Globo ) sempre estamos em crise ! depois eu entendi, são todos membros da SIP (sociedad interamericana de prensa ) , quem detenta a presidencia de dito organismo é Clarin….. Continuaremos visitando Rio e Sao Paulo sem temor de ser estuprados numa van, ou de balas perdidas . Esperamos que as estatísticas nos acompanhem! Parabéns pelo blog !

  3. É verdade! Se levarmos os jornais ao pé da letra, teremos medo não apenas de viajar, mas de sair de casa.
    Pelo jeito, vocês conhecem bem o Rio e aproveitam cada visita! Posso dizer o mesmo sobre Buenos Aires: voltarei sempre que tiver chance – pois com crise ou não, tive uma viagem recheada de ótimas experiências!

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