A Bebelplatz, a sul da avenida Unter den Linden, é um dos lugares mais interessantes de Berlim. Para começar, nela fica a biblioteca da Universidade Humboldt, onde estudaram Karl Marx, Albert Einstein e um montão de outros gênios (29 ganhadores de Prêmios Nobel!). Do outro lado, está o prédio do banco para onde tanto corre a personagem do filme “Corra, Lola, Corra”.

Bebelplatz Berlim - Humboldt University

Humboldt, a universidade de gênios

Lá também ficam a Catedral de St. Hedwig, que foi a primeira igreja católica da Prússia depois da Reforma Protestante, e o lindo (por dentro) prédio da State Opera, que dava nome à praça – Opernplatz, antes que passasse a homenagear August Bebel, um dos fundadores do Partido Social Democrata Alemão no século 19.

Mas a queima de livros, em 1933, é de longe a história mais incrível desse lugar. Durante o regime nazista, tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões impostos pela doutrina hitlerista entrava na lista de publicações proibidas. Organizações estudantis, com apoio da polícia e dos bombeiros, se encarregaram da destruição de 20 mil livros em toda a Alemanha, a maioria pertencente a bibliotecas públicas.

Bebelplatz Berlim - Memorial da Queima de Livros

Memorial da Queima de Livros

A Bebelplatz foi palco de uma dessas grandes e terríveis fogueiras, sob a justificativa de que a literatura alemã precisava ser purificada de elementos considerados “undeutsch”.

Hoje, no meio da Bebelplatz, há uma placa de vidro no chão que revela, sob a praça, prateleiras de livros vazias. É um memorial discreto porém muito bonito. Ao lado, a citação do poeta Heinrich Heine: “Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”.

Bebelplatz Berlim - Onde se queimam livros acaba-se queimando pessoas

Onde se queimam livros…

E isso é uma coisa que eu admiro muito na Alemanha: o país não esconde a sua história e faz questão de registrar, sempre de forma muito respeitosa, até os momentos mais difíceis. É como se a mensagem fosse nunca esquecer para nunca repetir.

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15 Comentários

  1. Tixia disse:

    Nossa! Deu vontade de ver essa praça agora! 🙂

  2. Marcos Malagris disse:

    Estar nesta praça e ver esta citação com certeza foi um dos momentos mais emocionantes da minha viagem.

  3. Nanda disse:

    Toda vez que penso na história dessa praça, lembro do filme Fahrenheit 451, do Truffaut. Um clássico da ficção científica!

  4. Gabriela disse:

    Ah, dessa eu não sabia… Agora vou ter que voltar a Berlim 🙂

  5. Esse post foi listado entre os melhores de 2012. Descubra quais foram as outras grandes viagens do blog clicando aqui.

  6. […] reparei em quantas universidades já entrei, sem nenhum motivo particular, só para observar a vida da cidade. E então comecei a perceber que isso pode ser uma grande jogada para mochileiros e viajantes em geral. Os campi universitários normalmente têm cantinas a bom preço, alguns têm exposições de arte, ciência ou história, e todos são movimentadíssimos e animados. Veja algumas universidades que merecem entrar no roteiro em Paris, Dublin, Glasgow, Porto, Coimbra e Buenos Aires […]

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  10. Ziga da Zuca disse:

    Nossa… Que lugar incrível!!!
    Não estive nessa praça, mas quando voltar para Berlim vou querer conhecê-la! E concordo muito com você quanto a postura dos alemães sobre toda a sua história triste e pesada, eles não escondem!
    Ô cidade marcante!!!!
    Beijão!

  11. […] Leia também: >> As estações fantasmas de Berlim >> A queima de livros nazista em Berlim […]

  12. […] Há na praça um monumento em memória a esse episódio, além de janelas de vidro no chão, de onde é possível observar no subsolo uma biblioteca com as estantes de livros vazias. Próximo às janelas, está uma placa com a frase: “Aquilo foi somente um prelúdio; onde se queimam livros, queimam-se no final também pessoas”, Heinrich Heine, 1820. Mais informações no blog Vontade de Viajar. […]

  13. INGRID PESSOA BIGHETTI disse:

    Que post incrível, obrigada por escreve-lo <3

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