Durante 28 anos ele separou não só a Alemanha mas a humanidade. O Muro de Berlim foi um ícone da Guerra Fria, construído em 1961 para separar as duas áreas da cidade: o setor capitalista e outro comunista.

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Hoje, o muro é um símbolo de renovação da Berlim que voltou a ser uma e aprendeu a ser muitas – com uma diversidade de estilos e etnias que jamais se pensaria na década de 1930. Para quem quer descobrir onde ver o Muro de Berlim de pertinho e entender melhor o que ele significou, tem três passeios que eu super recomendo na capital alemã:

1. East Side Gallery

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A maior seção do Muro de Berlim ainda de pé se tornou também a maior galeria de arte a céu aberto do mundo. Menos de 4 meses depois da queda do Muro de Berlim, a criação da East Side Gallery teve um valor simbólico fortíssimo: os artistas da época estavam se apropriando de um muro antes intocável. Aquelas paredes opressoras passaram a expressar a liberdade e o otimismo diante do novo momento político. A gente tem tanta coisa legal pra contar sobre a East Side Gallery que rolou um post só pra ela.

2. Bernauer Strasse

Se a East Side Gallery é o lugar para celebrar a queda do Muro, o Berlin Wall Memorial na Bernauer Strasse é o lugar para ter uma ideia mais real de como era conviver com aquela triste divisa. Aqui não tem cores, é o muro cru e a faixa de segurança que mantinha a população afastada. Os trechos que já foram derrubados são completados com barras de ferro, o que é interessante para a gente imaginar o que não se podia ver do outro lado. Alguns totens mostram vídeos, fotos e explicam como era feita a vigilância militar.

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Do outro lado da rua, é possível visitar o antigo Centro de Refugiados Marienfelde, que recebeu mais 1 milhão e 350 mil alemães que fugiram do setor comunista entre 1949 e 1990. Mas imperdível mesmo é dar uma volta na estação Nordbahnhof S-Bahn, que fica bem ali na esquina, para ver a exposição sobre as Estações Fantasmas do metrô de Berlim.

3. Checkpoint Charlie

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O Checkpoint Charlie é um dos lugares mais turistões de Berlim. Recebe tanta gente que não param de surgir lojas de souvenir, barraquinhas de comida e atrações secundárias para pegar a rebarba dos turistas. No meio da rua tem um cartaz gigante com uma foto de um soldado americano, mas esse cara não é o Charlie 🙂 Os americanos simplesmente batizavam os pontos de fronteira com as letras do alfabeto militar: alfa, bravo, charlie etc.

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A galera que paga para tirar foto abraçada com os guardas certamente não está recriando nenhuma cena histórica – tentar atravessar a fronteira era uma coisa nada amigável e muito perigosa. As provas você vê no Mauer Museum, bem ali no Checkpoint Charlie. O museu é lotado de documentos, fotos, recortes de jornal e objetos de época mostrando as implicações políticas do Muro de Berlim e as peripécias de quem tentava cruzá-lo. Teve até gente que construiu avião ultraleve usando motor de Trabant, aquele “fusquinha comunista”!

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Algumas das atrações que “orbitam” em torno do Checkpoint Charlie são o Trabi World, com uma coleção de Trabants coloridos e pacotes de citytour no carrinho histórico, a Black Box Kalter Krieg com uma exposição que se auto-intitula a “Caixa Preta da Guerra Fria” e outra, ao ar livre, sobre o aperfeiçoamento do controle de fronteira no Checkpoint Charlie, e também o Asisi Panorama, que mostra uma pintura panorâmica super realista da cidade de Berlim nos anos 80, ainda dividida pelo muro. Uma boa referência de ponto de partida para explorar essa região é a estação de U-Bahn Kochstrasse.

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Outras histórias do muro

Eram ao todo 155 km, então há muitas outras partes do muro pela cidade. Outro ponto famoso para ver o muro é a Topografia do Terror, exposição montada no antigo local de operação da Gestapo e da SS, os principais instrumentos de repressão e censura do Regime Nazista, mas acho que o foco lá é mais o Terceiro Reich que a Guerra Fria, então não está no nosso top 3.

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Esse ano a Alemanha comemora os 25 anos da queda do Muro de Berlim. Milhares de balões iluminados recriarão o traçado da muralha que dividiu a Alemanha por quase três décadas. Quem estiver por lá por volta do dia 9 de novembro vai ver os balões de gás sendo soltos para simbolizar a esperança por um “mundo sem barreiras”. Deve ser a coisa mais linda!

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Luzes nos 25 anos da queda – foto: Daderot

E o melhor é que, fora as atrações do Checkpoint Charlie, todo o resto da nossa lista dá pra ver de graça 🙂 Já mencionei aqui no blog que isso é o que eu mais gosto na Alemanha: eles não negam e não escondem a parte triste da história – ao invés disso, fazem questão de manter as cicatrizes expostas e mostrar que aprenderam com o passado. E é por isso que eu acho tão incrível ver de perto os museus e monumentos de Berlim ♥

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27 Comentários

  1. Fabi disse:

    Belo post! São lugares emocionantes de visitar…

  2. […] de tudo isso há muitas dicas bacanas como:  Museus de Paris além dos óbvios, 3 lugares para ver o muro de Berlin e como economizar na […]

  3. […] mensagens de resistência ao regime, palavras de paz e esperança. No fim daquela década, quando o Muro de Berlim caiu, em 1989, a República Tcheca teve o fim da ditadura comunista também, mas a Lennon Wall […]

  4. […] Foi assim que Gabriela e Susi se conheceram, aos 17 anos, durante um intercâmbio nos Estados Unidos, em 1991. Gabriela é brasileira e Susi é alemã – foi da primeira geração de jovens da Alemanha Oriental que puderam viajar para o exterior após a queda do Muro de Berlim. […]

  5. […] gente indicou aqui no blog 3 lugares para ver o Muro de Berlim, mas visitá-los faz muito mais sentido se a gente entende a história que estava por trás de sua […]

  6. […] aconteceu com duas linhas de U-Bahn e uma linha de S-Bahn. A estação Nordbahnhof, perto do Berlin Wall Memorial na Bernauer Strasse, era uma dessas estações de fronteira. Como cada saída era em um setor da cidade, ela foi […]

  7. Acabo de ir no East Side, amei! Valeu a dica

  8. […] Vontade de Viajar Tá indo pra onde? Meus Roteiros de Viagem Deutsche Welle […]

  9. O fato da Alemanha manter sempre viva a memória sobre o muro é realmente muito importante, mas imagino que deva ser um pouco doloroso também. Mas necessário. Mas muito bom que existam essas intervenções artísticas para construir novos significados. Adorei conhecer um pouco mais, ainda não conheço Berlim, mas está na minha lista, com certeza.

  10. Eu fiquei verdadeiramente encantado com a East Side Gallery e com o museu ao lado do Checkpoint Charlie mas o melhor é mesmo, como você diz, é o facto de não apagarem a história. É muito importante manter estas memórias vivas… não vá alguém esquecer-se das atrocidades de que o ser humano é capaz.

  11. Diana disse:

    Já não visito Berlim há anos, mas este artigo dá-me vontade de visitar de novo. Adorei o muro e é tão importante que partes dele ainda continuem de pé, para nos fazer lembrar a história (e para que ela não se repita).

  12. Adoro este tema da história recente, sim foi bem recente, é muito bom preservar essas memórias, se bem que próximo da Alemanha já se estejam de novo a erguer barreiras…

  13. Edson Jr disse:

    Muito importante e educativo ver como a Alemanha não esconde seu passado, mesmo sendo sombrio. Esses pontos são obrigatórios de visitar. Muito bom post.

  14. Uau, adorei as dicas, ainda não conhecemos Berlim, esta matéria já foi para nossas favoritas!

  15. mairaps disse:

    Um dos primeiros lugares que me lembro ter desejado conhecer é a Alemanha. Essa história, o muro é realmente muito comovente e você trouxe isso em texto e imagens muito bem. Parabéns!

  16. Mariana G. disse:

    A ideia de uma cidade separada por um muro ainda me choca – e acho que diz muito sobre a humanidade, né? Post ótimo com dicas e detalhes do que visitar para conhecer a história!

  17. Katia disse:

    Quando fui a Berlim conheci os 3! Eles tem uma energia incrível, não dá pra explicar, é algo unico!

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